Democracia Representativa e Direta, na Era Eletrônica!

1- Por décadas e décadas debateu-se conflituosamente na esfera política, seja entre políticos como entre acadêmicos, a convergência ou divergência entre democracia representativa e direta. Setores de esquerda, fora do poder e sem lastro eleitoral, negavam à representação parlamentar legitimidade, alegando poder econômico, compra de votos, demagogia, etc… Como alternativa propunham instancias de democracia direta, através de associações de moradores, sindicatos, conselhos diversos.
           
2. Por outro lado, seus críticos, reforçavam a democracia representativa, questionando a representatividade dessas associações e conselhos, que seriam na verdade manipulados por profissionais de partidos, que não representavam as bases e que aqueles diminutos grupos ativos que se reuniam apenas representavam-se a si mesmos.
           
3. Em outro corte, os partidos de quadros, sublinham a democracia representativa, e os partidos de militantes, especialmente os profissionalizados, reforçam a democracia direta, especialmente quando não tem votos.
           
4. Com a comunicação eletrônica, este quadro muda radicalmente. Os políticos têm a possibilidade de serem alcançados a qualquer momento por qualquer pessoa, seja através de mensagens individuais por e-mail, por web direto, em grupos, em redes, em sites, etc… Podem ter o contato individual ou coletivo com o corte que desejarem.
           
5. Essa é uma pratica de democracia direta cuja representatividade será tanto maior quanto maior interesse o eleitor tiver em contatar com o político, interagir e dialogar com ele. O político pode ir desenhando redes -gerais e parciais- e submeter a elas idéias e interagir com as mesmas -desenhar grupos via Orkut, dialogar em tempo real via MSN, etc….
           
6. Com isso a dicotomia democracia representativa e direta, desaparece e fica a disposição dos partidos de qualquer tipo, usar estes instrumentos de democracia direta explorando a representatividade que o voto lhe deu tendo seu próprio campo de articulação direta.
           
7. Desta forma os intermediários profissionais que levam e trazem demandas e reclamações da base social e mistificam seu poder manipulando as diretorias que nomearam, que iludem a mídia com nomes e sobrenomes de associações e conselhos, perderam os instrumentos de falsa representação que detinham.
           
8. A partir de agora termina a dicotomia entre democracia representativa e direta. Passam a ser um todo integrado e único e a disposição daqueles que tendo voto, passam a ter contatos diretos e a qualquer momento com a população -individual e coletivamente- setorial ou regionalmente, corporativa ou horizontalmente.