22 de maio de 2013

O “ESTRANHO NEGÓCIO” DA ESCOLA ISA PRATES!

1. Requerimento de Informação. O projeto da escola Tom Jobim no local da antiga ISA PRATES foi cancelado? Resposta: “Sim e o decreto expropriatório n. 21.413/2002 foi revogado pelo decreto n. 35.422/2012″.

2. Obs.: Os recursos para desapropriação haviam sido liberados e as obras haviam começado com placa na porta da escola. Veja.

3. Este Ex-Blog foi informado que o grupo hoteleiro espanhol Arena havia “intervindo e influenciado” o cancelamento da desapropriação da escola e adquirido o local. A prefeitura do Rio, na época, negou.  Mas agora entrou o pedido para fazer o hotel, demolindo a escola ISA Prates. A secretaria de urbanismo, “prudentemente”, encaminhou ao Iphan, transferindo a responsabilidade. Veja o ato.

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PREFEITO DO RIO TRANSFERE COMPETÊNCIAS DA SECRETARIA DE URBANISMO PARA SEU ASSESSOR ESPECIAL!  ESTRANHO!?!?!?!?!

1. Através do Decreto nº. 37183 de 20 de maio de 2013, publicado no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro – 21/05/2013, o prefeito do Rio transferiu competências da secretaria municipal de urbanismo a seu assessor especial.  O decreto dispõe sobre a função de Assessor Especial do Prefeito para Assuntos Urbanos.

2. O artigo terceiro do decreto não poderia ser mais contundente.  Art. 3.º Caberá ao Assessor Especial do Prefeito para Assuntos Urbanos: I – aconselhar o Prefeito em todos os temas envolvendo a requalificação urbana da cidade e o pensamento estratégico nela envolvido, bem como a respeito das intervenções urbanas realizadas em âmbito municipal; II – servir como órgão de interlocução do Prefeito perante a sociedade civil, os meios de comunicação e os demais órgãos da administração municipal, a respeito de qualquer questão que envolva a requalificação urbana da cidade e as intervenções urbanas realizadas em âmbito municipal; e III – analisar e se manifestar, quando entender necessário ou a pedido do Prefeito, sobre qualquer intervenção urbana relevante realizada no âmbito do Município do Rio de Janeiro.

3. Na prática, a secretaria de urbanismo em suas funções precípuas é extinta, sendo transformada em uma secretaria de mero processamento de licenças para construir, de licenças para demolir e de formalização dos habite-se, além das fiscalizações relativas. Assim mesmo em penúltima instância, pois a palavra final, a seu critério e arbítrio -“quando entender” caberá ao assessor especial de assuntos urbanos do prefeito.

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JUNTOS? MAS PELO VOTO! CABRAL NEGA APOIO A DILMA SE PT TIVER CANDIDATO! 

1. Alardearam durante anos a parceria entre os 3 níveis de governo. E que isso só era inspirado pelo interesse público. Publicidade à vontade. Slogan. Mas se aproxima a eleição de 2014 e o PT resolve lançar candidato a governador, com chance maior que o candidato do governador. E aí derramou o caldo da publicidade dos 3 juntos. Juntos pelo voto, se vê agora. Abriram o jogo com temor à derrota.

2. (Globo, 22) Cabral nega apoio a Dilma em 2014 se PT lançar candidato próprio no Rio.  O governador do Rio, Sérgio Cabral, o vice-governador Pezão, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, se reuniram na noite desta terça-feira, na residência oficial do vice-presidente da República, Michel Temer. Cabral, como previsto, deixou clara a posição de que o apoio à candidatura presidencial da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014 depende de o PT não lançar candidato ao governo fluminense. O princípio defendido por Cabral é de que o PT tem a obrigação de apoiar o candidato do PMDB no estado caso queira contar com a retribuição.

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E O BRASIL, ENQUANTO ISSO? NADA!

(Clovis Rossi – Folha de SP, 21) 1. Tem festa hoje no quintal do Brasil: os presidentes do México, Chile, Colômbia e Peru, reunidos em Cali (Colômbia), põem carne na ossatura da Aliança do Pacífico, anunciando a eliminação das tarifas de importação de 90% dos produtos que comercializam (os 10% restantes cairão em sete anos).

2. Não é preciso ser PhD em Harvard para desconfiar que esse novo bloco abre um rombo no projeto prioritário da diplomacia brasileira desde o governo Itamar Franco, reforçado na gestão de Lula, que é o da integração sul-americana, se possível latino-americana, atraindo também o até agora arredio México.

3. A Aliança do Pacífico não deixa de ser integração entre os três países sul-americanos mais o México, mas ela se fará de costas para Brasília e, como o nome indica, voltada para o outro oceano que banha a América do Sul.  O novo conglomerado tornou-se objeto de desejo de Costa Rica e Panamá, sem contar o de países extracontinentais, como a Espanha, e o Canadá, que já está ligado ao México no Nafta (Área de Livre Comércio Norte-Americana, em sua sigla em inglês).

4. E o Brasil, enquanto isso? Nada

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SINAIS DE DECADÊNCIA POLÍTICA!

(Trechos da entrevista de Francis Fukuyama a Folha de SP, 20) 1. Todas as instituições políticas tendem a decair com o tempo, inclusive a China contemporânea. Os padrões da decadência são muito semelhantes entre China, Império Otomano ou o Antigo Regime na França. Não acredito que exista um auge específico. Minha visão da decadência política é de que existem ciclos contínuos de decadência e de reforma.

2. A decadência política é um problema constante, que todos os regimes enfrentam. As fontes desse problema são duas. A primeira é que instituições são difíceis de serem mudadas. As pessoas querem mantê-las a todo custo, mesmo que as condições externas mudem. A segunda é que, em qualquer sociedade, os ricos e poderosos vão acumular poder com o tempo e usarão seu acesso privilegiado ao sistema político para protegerem a si mesmos.

3. Hoje temos mais evidências de uma decadência política em vários sentidos do Estado chinês e de instabilidades internas no país.  Existem verdadeiros problemas institucionais nos Estados Unidos e na Europa. Nos EUA, tivemos um grau elevado de polarização política que impediu que algumas decisões importantes fossem tomadas.  Há problemas básicos no desenho e na construção da União Europeia, em sua composição e equilíbrio, que levaram diretamente à atual crise. Acho que os problemas são resolvíveis e a atual situação geral não é ruim.

4. Não há uma crise generalizada de governabilidade, mas sobretudo nos Estados Unidos há traços de decadência política aos quais o país deveria prestar atenção.

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A DECADÊNCIA DE DETROIT, EX-CAPITAL MUNDIAL DO AUTOMÓVEL! UM CASO DE DESURBANIZAÇÃO!

(José Antonio González Alcantud é professor de Antropologia Social da Universidade de Granada – El País, 18) 1. Percorrer as ruínas de Detroit, casas queimadas, arranha-céus vazios, espaços desconhecidos como o centro cheio de belos edifícios, onde dizem que chegam os coiotes, é uma das emoções mais fortes enfrentadas pelo viajante moderno.  Detroit é a vertigem, é a lenha que queima, e não deixa nenhum rastro das casas, juntamente com seus marcos – que são seus arranha-céus -, os únicos sólidos, feitos de “concreto”, ou seja, para durar.

2. Desde os anos sessenta, primeiro com a concorrência europeia, e, em seguida no final do século XX, com a oriental – japonesa, coreana e chinesa, sucessivamente – ela vem tombando. As pessoas que permanecem, em sua maioria negros, querem sobreviver com a sua cidade. Em Detroit a crise foi inelutavelmente desurbanizadora. A cidade agora é o local perfeito para os grafiteiros, decoradores da ruína, enquanto nos indicam os caminhos de uma amarga reflexão sobre o megaurbanismo e seus limites. Os artistas locais aproveitam os detritos da “desurbanização” para criar formas fantasmagóricas e sobrecarregar o visitante com as suas criações sobre os males do século, incluindo as guerras imperiais dos EUA, como se todas essas unidades em dificuldade fossem comparáveis, e entrassem na mesma problemática: a dos desastres civilizatórios.

3. Os novos habitantes são aqueles fugidos das guerras islâmicas, especialmente os iraquianos. Se você entra em um arranha-céu modernista do centro de Detroit, o vazio nos oprime com uma densidade ainda maior. Maravilhosos afrescos presididos por uma deusa da abundância que parece dividir seus bens e benefícios urbi et orbi, em contraste com a cafeteria sem pessoas do belo arranha-céu. Detroit inspira-nos em todos os momentos, especialmente quando estamos conscientes da própria crise que vivemos aqui e agora, e vislumbramos um futuro de cidades nômades e evanescentes como a essa. Perambulo acompanhado por dois muçulmanos europeus que somente encontram consolo para tanta desolação quando chegam a uma mesquita.

4. Michigan, estado em que se encontra Detroit, é a área dos Estados Unidos com maior desemprego, cerca de 50%, e com mais muçulmanos. Detroit só ganha novos habitantes com os refugiados das guerras islâmicas, especialmente os iraquianos, que consideram viver em Bagdá ainda pior. Enquanto isso, na abandonada e fechada estação ferroviária central, que foi concebida pelo mestre arquiteto Louis Kahn, os trens passam sem parar em Detroit.

5. O magnífico Museu de Belas Artes de Detroit é o melhor exemplo do que deve ter sido a época dourada, dos rios de ouro que trouxeram a indústria automobilística em expansão, em que o magnata Henry Ford, se permitia em sua enorme suficiência plutocrática, encomendar quatro grandes paredes verticais de murais a um conhecido comunista, como foi o artista revolucionário mexicano Diego Rivera. Murais enigmáticas estes onde Rivera reflete suas ambiguidades do progresso capitalista, em última análise do próprio “Fordismo”. Vemos surgir diante de nós, mais uma vez, a deusa da riqueza, os aviões, as usinas siderúrgicas, as fábricas… Cheio de otimismo histórico, de “desenvolvimento das forças produtivas”. Atualmente, eles aparecem diante do visitante como parte de uma alucinação tão extensa quanto a própria cidade do magnata Ford.