18 de agosto de 2016
OLIMPÍADA, CIDADE, FAVELAS E ESPORTE!

(Entrevista de Cesar Maia, pela internet, a Bruno Vater)

BV- Na opinião do senhor, os jogos trouxeram algum benefício para a população de baixa renda?
R- Tomando como referência o PAN-2007, sim, como as Vilas Olímpicas, o foco no esporte para Pessoas com Deficiência, a atração de jovens de comunidades para os esportes, e não apenas para o futebol, e os esportes por mulheres, e não apenas o vôlei, a visão do esporte como um fator de inclusão, apoiando a associações, ONGs… As escolas municipais e professores de educação física se integraram, assim como iniciativas em comunidades. Nesse sentido, a cobertura da TV GLOBO cumpriu um papel muito mais importante no PAN-2007 que agora, onde se concentrou na mobilização e publicidade.

BV- O prefeito, Eduardo Paes, fala muito da transoeste e Transolimpica. O senhor considera isso um legado para a cidade? Considera que o transporte rodoviário é o caminho correto?
R-  Acho que os corredores de BRTs atravessando, estuprando bairros, como Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Penha, é o mesmo erro do trem suburbano de décadas atrás. O VLT no Centro, alterando os fluxos internos e cortando a Av. Rio Branco é outro erro.

BV- O que o senhor achou da derrubada da Perimetral? E da revitalização da Praça Mauá e criação do Boulevad Olímpico?
R- A revitalização da Praça Mauá certamente foi positiva. Era um projeto integrante do projeto Guggenheim no mesmo píer com o mesmo alcance urbano. A derrubada da perimetral era um objetivo de anos atrás. Mas se estava apenas articulada ao projeto do Porto Maravilha, foi precipitada em uns 20 anos. Vide a situação dos CEPACs, micados, e que nem 10% foram comprados e assim mesmo grande parte por troca por andares virtuais.

BV- O que o senhor acha das remoções para as obras das olimpíadas, como na construção do Parque Olímpico por exemplo?
R- Não entendi a razão da polêmica e fixação na Vila Autódromo, que não conflitava com o Parque Olímpico. Melhor teria sido uma urbanização do local. Terminou sendo uma ação de valorização imobiliária do entorno. E gerou uma ideia de gentrificação desnecessária.

BV- No geral, a Olimpíada vai deixar um legado positivo ou negativo para a cidade?
R- No vetor esportivo, positivo. No vetor imagem da cidade, negativo. No vetor urbano, positivo, embora num tempo bem maior. No vetor formação de atletas brasileiros para 2016, fracassou. O imediato pós-olimpíada será muito polêmico, pois a gestão não-esportiva do evento teve muitos problemas, irritando as pessoas que iam aos eventos e as que não iam. Não trará benefício político aos governantes, como também foi o caso da Copa do Mundo 2014.