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	<title>Cesar Maia &#187; Artigos</title>
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	<description>Site oficial do ex-prefeito Cesar Maia</description>
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		<title>Pontos fora da curva</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 16:54:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo: 4/6/2011 A política tem tendências de longo prazo que se expressam, em números aproximados, nos processos eleitorais. Nas eleições de 1947, por exemplo, PTB e PCB -partidos ligados ao &#8220;trabalhismo&#8221;- somaram uns 12% dos deputados federais. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/06/pontos-fora-da-curva/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;">Folha de São Paulo: 4/6/2011<br />
A política tem tendências de longo prazo que se expressam, em números aproximados, nos processos eleitorais.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas eleições de 1947, por exemplo, PTB e PCB -partidos ligados ao &#8220;trabalhismo&#8221;- somaram uns 12% dos deputados federais. Nas eleições seguintes, foram crescendo progressivamente, até que em 1962 o PTB tornou-se o principal partido, com uns 30% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">O golpe de 1964 interrompeu esse processo, mas apenas provisoriamente. Com a redemocratização, o &#8220;trabalhismo&#8221; retornou com cara própria -com o PDT e o PT, inicialmente. E esse processo se repetiu: partindo praticamente de uns 10% dos deputados federais, seu crescimento foi permanente. A diferença é que agora o &#8220;trabalhismo&#8221; é muito mais pulverizado.<br />
O PT tem 16,5% dos deputados, e a este somam-se PDT, PSB, PC do B, PSOL&#8230; para chegar aos mesmos 30% ou pouco mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem olha as correntes abaixo da linha do mar ou a floresta de cima perceberá essas tendências. Mas há eleições que são pontos fora da curva. Por exemplo, a do Plano Cruzado de 1986, quando o PMDB elegeu todos os governadores, menos o de Sergipe, e 52% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem pensou que tal eleição lançava uma nova tendência, se deu mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois anos e meio depois, Fernando Collor vencia as eleições presidenciais disputando com Lula o segundo turno. Brizola foi o terceiro candidato mais votado. Em 1990, o PMDB passava a ter 20% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">A eleição de 2010 é outro ponto fora da curva. Um presidente mitificado, entrando no processo eleitoral como fator exógeno, gravando &#8220;telemarketing&#8221;, aparecendo na TV, inventando sua candidata a presidente e elegendo-a, pedindo votos aos seus e contra os adversários, num processo nunca visto nas democracias maduras. Ele levou o que queria: a máquina presidencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para não ter riscos, foi cedendo espaço nos Estados para seus parceiros. O PT fez 16,5% dos deputados federais, cinco governadores -só dois em Estados mais importantes: Bahia e Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto o ponto fora da curva pela popularidade do presidente em 2010 deixou fundações tão frágeis quanto em 1986 -quando, depois, ocorreu o que ocorreu.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2012 e em 2014, o processo eleitoral voltará à normalidade. Isso não quer dizer que uma ou outra força política se beneficiará. Apenas que não haverá fator exógeno. O custo dos artificialismos para ganhar parceiros já está sendo cobrado e as eleições serão competitivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos estão no jogo. Perdedores serão aqueles que se agarrarem naquele ponto fora da curva de 2010. Cairão como aqueles que caíram depois de 1986. O PMDB parece ter aprendido a lição.</p>
</div>
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		<title>Jangada de pedra</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 08:42:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A reação política europeia à crise econômica de 2008-2009 foi virar o leme à direita. Os casos residuais, atentos a essa tendência, terminaram caindo numa armadilha: adotar as mesmas políticas à direita, buscando legitimar-se pela esquerda. Não podia dar certo. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/jangada-de-pedra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;">A reação política europeia à crise econômica de 2008-2009 foi virar o leme à direita. Os casos residuais, atentos a essa tendência, terminaram caindo numa armadilha: adotar as mesmas políticas à direita, buscando legitimar-se pela esquerda. Não podia dar certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois casos residuais mais importantes são os de Portugal e da Espanha. Ambos caminham para se incorporar aos demais, com a provável vitória de seus partidos conservadores, o PSD em Portugal, na próxima semana, e o PP na Espanha, no início de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">As eleições regionais e locais na Espanha, na semana passada, com vitória histórica do PP, já apontaram nessa direção, incluindo a tomada de redutos tradicionais sob controle dos socialistas do PSOE.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, o georreferenciamento da política europeia em 2012 deverá mostrar uma enorme mancha azul, desde a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, chegando agora à península Ibérica.</p>
<p style="text-align: justify;">O escritor José Saramago fez a figuração do retorno ibérico à Europa desde as Américas, onde a &#8220;jangada&#8221; aportou no final do século 15. Esta &#8220;jangada de pedra&#8221;, com a democratização dos anos 1970, voltou a colar no continente. Agora, ela aporta politicamente na Europa pós-crise.</p>
<p style="text-align: justify;">Portugal e Espanha têm um sistema parlamentar de poder binário. No caso da Espanha, de forma mais pronunciada: PSOE e PP têm em torno de 90% dos 350 deputados.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Portugal, o PS e o PSD têm um pouco menos, em torno de 85% dos 230 deputados.</p>
<p style="text-align: justify;">Na eleição de 2009, tal soma caiu para 77%, com o PS perdendo 20% de seus deputados e tendo que coligar-se para formar o gabinete ministerial.</p>
<p style="text-align: justify;">A vitória do PS em 2009 só ocorreu devido a uma escolha equivocada do PSD: a sua candidata a primeira-ministra.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia, a performance numa campanha sempre agrega ou desagrega algo. Se a eleição for equilibrada, isso passa a ser decisivo.</p>
<p style="text-align: justify;">A crise obrigou o primeiro-ministro português a entregar o cargo ao presidente e este a antecipar as eleições parlamentares para 5 de junho. Portugal receberá, via UE, 40% de seu PIB em empréstimos, para enfrentar a crise.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Espanha, em meio à crise, numa última tentativa do PSOE, o primeiro-ministro anunciou que retira seu nome da eleição de 2012 e que não continuará como tal.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas semanas, um movimento multitudinário via redes sociais, de jovens espanhóis, ocupou a praça central de dez grandes cidades do país, a começar por Madri. O foco dos protestos é a contrapolítica, a rejeição aos políticos, jovens antes de esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo sendo a eleição em Portugal de resultado mais estreito, o fato é que, politicamente, a &#8220;jangada de pedra&#8221; -agora de cor azul- colou na política europeia pós-crise.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Folha de São Paulo, 28.05.11</em></p>
</div>
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		<title>Comissão da Verdade</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 00:37:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo 14/4/11 O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário &#8220;Para que &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/comissao-da-verdade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Folha de São Paulo 14/4/11</em><br />
O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário &#8220;Para que Não se Repita&#8221;, dividido em 12 blocos, com seis horas de duração.</p>
<p style="text-align: justify;">O escopo do informe e o período que cobre foram amplos: &#8220;Esclarecer as violações contra os direitos humanos cometidas pelo Estado e por grupos terroristas entre maio de 1980 e novembro de 2000&#8243;. Cada &#8220;comissão&#8221; criada na América Latina tem um escopo e um período de análise diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório mostra a complexidade de uma comissão desse tipo. Foram 69 mil vítimas no período: 90% de mortos e 10% de desaparecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O informe destaca o Sendero Luminoso/Partido Comunista Peruano, apresentando-o como um grupo terrorista. Também trata das causas históricas da violência no Peru, a discriminação de índios e negros e as diferenças sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Após sublinhar as características democráticas dos ex-presidentes Fernando Belaúnde e Alan García, relata ações repressivas do Exército e da polícia tidas como terroristas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Ayacucho, base do Sendero onde lecionava seu líder, Abimael Guzmán ou &#8220;presidente Gonzalo&#8221; (preso desde 1992), concentrou-se a violência, passando depois a Lima.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de Alberto Fujimori, que liquidou o Sendero, tem seus méritos minimizados e, nesse caso, associa-se a ele a repressão e o terrorismo da polícia e do Exército.</p>
<p style="text-align: justify;">Destaca-se ainda o papel das milícias locais (rondas), armadas pelo próprio Exército e atuando em cada região com independência. Mesmo informando casos de terror praticados pelos &#8220;ronderos&#8221;, o relatório tenta realçá-los como autodefesas das comunidades, e que teriam tido papel básico.</p>
<p style="text-align: justify;">Para concluir, o informe condena a passividade da Justiça e do Ministério Público, que deveriam ter tido papéis ativos, mas seriam responsáveis, por omissão, por crimes contra os direitos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O documento &#8220;esquece&#8221; o MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru), ostensivamente financiado pelo tráfico de drogas e responsável pelo sequestro múltiplo na Embaixada do Japão, desintegrado pela inteligência policial em operação cinematográfica e ao vivo, no período Fujimori.</p>
<p style="text-align: justify;">De tudo o que mostra o relatório/documentário, o mais importante é o risco do trabalho de comissão similar passar a cumprir um papel político, ter uma abrangência sem limites e igualar ou encobrir excessos de forças heterogêneas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma comissão de tal tipo pode terminar servindo para atirar em qualquer direção e, assim, incorporar riscos de excitar e deformar a memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, nunca poderá ser governamental nem ter cor ideológica. Deve ter foco específico e detalhado em um período.</p>
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		<title>&#8220;Bolha&#8221; latino-americana</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/bolha-latino-americana/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 18:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície. Nas últimas duas semanas, o FMI, &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/bolha-latino-americana/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície.</p>
<p>Nas últimas duas semanas, o FMI, em relatório sobre a América Latina, e a revista &#8220;The Economist&#8221; apontaram no mesmo sentido: forma-se uma &#8220;bolha&#8221; na região capaz de estourar em alguns meses.</p>
<p>O Brasil é citado como um dos casos mais delicados.</p>
<p>Lembram que não se pode tratar, simultaneamente, de controlar a inflação e desvalorizar o cambio. A presidenta Dilma Rousseff disse que está dando uma &#8220;guerra contra a inflação&#8221;, expressão que denota insegurança -e mais coisas não ditas.</p>
<p><img title="More..." src="http://www.blogdemocrata.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /></p>
<p>A crise de 2008-09, ao contrário da de 1997-98, não tirou capitais dos países emergentes. Ao contrário: com taxas generosas de juros e estando fora do epicentro dos países desenvolvidos, continuaram a atrair capitais, produzindo uma valorização quase generalizada do câmbio.</p>
<p>Hoje, para cada 10% de crescimento da China, o impacto na América Latina, via commodities, é de uns 4%. Viramos uma periferia da China.</p>
<p>Mas as autoridades chinesas falam em reduzir esse ritmo.</p>
<p>Sendo assim, o impacto continental seria significativo.</p>
<p>E a isso se agrega a crise europeia e a necessidade dos EUA enfrentarem seu deficit fiscal.</p>
<p>O paraíso das commodities não será o mesmo. Em mais um tempo, garantem, a taxa de juros nos EUA vai ter que subir, atraindo capitais que migraram para os emergentes.</p>
<p>As razões da &#8220;bolha&#8221; brasileira estar crescendo na frente das demais (com exceção da Argentina) estão nos próprios dados oficiais divulgados, com parcimônia, para não assustar os investidores.</p>
<p>A inflação já sinaliza para mais de 7%. O PIB, neste ano, deve crescer 3,5%. A expansão do crédito embute uma inadimplência potencial crescente. O deficit em conta-corrente vai para US$ 60 bilhões.</p>
<p>A balança comercial da indústria foi de um superavit de US$ 18 bilhões para um deficit de US$ 22 bilhões em cinco anos. O deficit comercial nos derivados do petróleo (um país autossuficiente!) passou de US$ 3 bilhões para US$ 18 bilhões em dez anos.</p>
<p>Como dizia Simonsen, &#8220;a inflação fere, mas o balanço de pagamentos mata&#8221;. Ao que tudo indica, o terremoto de 2008-09 entrou com grau 8 nas economias desenvolvidas e vai chegando nas emergentes com graus um pouco menores. E, no Brasil, com mais um efeito: o político.</p>
<p>O &#8220;desconforto&#8221; de 2011 vai levar a base da sociedade a fazer comparações. Injustas, mas que vão afetar a popularidade da presidenta até o final do ano. E não se pode afrouxar em 2011 para 2012, pois a eleição que importa para ela e para eles será em 2014</p>
</div>
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		<title>Fusão ou confusão?</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/fusao-ou-confusao/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 17:37:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 30/04/2011 Quando dois sistemas se integram, tal fusão pode ser sinérgica (maior que a soma das partes), neutra ou disfuncional (menor que a soma das partes). A fusão de dois partidos políticos só é um processo &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/fusao-ou-confusao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 30/04/2011</em></p>
<p>Quando dois sistemas se integram, tal fusão pode ser sinérgica (maior que a soma das partes), neutra ou disfuncional (menor que a soma das partes). A fusão de dois partidos políticos só é um processo simples quando o tamanho de um deles é insignificante perto do outro. A isto melhor seria chamar de assimilação.</p>
<p>Mas quando dois partidos se equivalem, a fusão é um processo complexo, ainda mais num país continental. No Brasil, alguns partidos substantivos surgiram por processos de desagregação, como o Republicano (no Império), o PSDB (saído do PMDB) e o DEM (saído do PDS).</p>
<p>Este é também um processo simples, porque as partes homogêneas de um partido se separam para formar outra legenda. Não é sem razão que no Brasil, durante o Império ou a República, nunca ocorreu fusões entre partidos políticos substantivos. A complexidade ocorre pelo tectonismo das partes (das placas).</p>
<p>No que se refere às direções nacionais, sempre haverá como compor. Mas quando os espaços de cada dirigente começam a ser definidos, termina a simplicidade. Isso sem falar nas estruturas administrativas de cada um.</p>
<p>Ao se desdobrar isso em níveis estadual e municipal, há muito mais. Além disso, existem as listas de vereadores por município, deputados federais e estaduais por Estado, cuja agregação produzirá riscos maiores ou menores para centenas de parlamentares.</p>
<p>Há ainda os espaços de liderança a serem definidos. E também, em todos os níveis, os órgãos de representação especial, como imprensa, institutos e fundações.</p>
<p>Tal decisão produziria uma redução pela metade das lideranças no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras Municipais, assim como nas estruturas respectivas. E também no uso dos microfones.</p>
<p>A nova legenda, independente da denominação que mantenha, terá que incorporar os programas de ambos. As diferenças desses programas abrirão uma luta ideológica, de saída, no novo partido.</p>
<p>Finalmente, a legislação eleitoral permite, havendo fusão de partidos, que os legisladores (vereadores, deputados, senadores) e os executivos (prefeitos e governadores) que se digam prejudicados mudem de legenda.</p>
<p>Não é preciso analisar no detalhe para saber que alguns deputados federais e vários deputados estaduais e vereadores usarão essa circunstância para mudar de partido, sem os enormes riscos de uma nova legenda. O partido fundido ficará parlamentarmente menor que a junção das partes. Só soma tempo de TV e Fundo Partidário, o que também vai gerar atritos pelo uso.</p>
<p>Isso tudo leva a uma enorme disfunção ou tectonismo. Repetindo: no Brasil -no Império e na República- nunca houve fusão de dois grandes partidos. Haverá a primeira.</p>
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		<title>Herança perversa</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/heranca-perversa/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 20:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Folha de São Paulo As primeiras medidas do governo Dilma em relação aos cortes nos gastos públicos, ao câmbio, aos juros e à política externa são apresentadas como herança recebida do governo Lula. São vistas como produto das distorções &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/heranca-perversa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fonte: Folha de São Paulo</em></p>
<p>As primeiras medidas do governo Dilma em relação aos cortes nos gastos públicos, ao câmbio, aos juros e à política externa são apresentadas como herança recebida do governo Lula. São vistas como produto das distorções eleitorais relativas aos anos de 2009 e 2010. Por isso, sua abordagem cria no governo um certo constrangimento.</p>
<p>Mas nada disso é problema. Ao contrário. Dilma aparece como mais centrada, mais racional e mais dedicada às questões administrativas, o que a eleva ao andar de cima do meio acadêmico, empresarial, jornalístico e político.</p>
<p>Com todos os desdobramentos relativos a essa herança, ela certamente não é o problema que Dilma e seu governo terão de enfrentar.</p>
<p>Todas as pesquisas nos últimos anos, em relação às funções do governo, mostraram uma avaliação mais próxima do regular. Mas as mesmas pesquisas mostraram uma avaliação ótima de Lula.</p>
<p>É como se o personagem que criou, inserido nas massas e confundido com elas, nada tivesse a ver com seu governo.</p>
<p>Até o fato de a crise financeira de 2008/2009 não ter chegado aos países emergentes como chegou aos desenvolvidos foi percebido como efeito Lula.</p>
<p>Seus atos são sempre confundidos com seu populismo retórico. As inaugurações de pedras fundamentais eram percebidas como realizações, e a &#8220;caravana holiday&#8221; de seus comícios inaugurava nada, mas que -em outras partes do país, via satélite- era percebido como tudo.</p>
<p>Com o mensalão de 2005, Lula abandonou o uniforme de líder operário urbano e incorporou o jeito de líder retirante num populismo protorreligioso que tão bem se conhece Brasil afora, desde a segunda metade do século 19.</p>
<p>Essa condição é que é a herança perversa. Nem Dilma nem nenhum outro nome cogitado no processo pré-eleitoral desde 2008 teria condições de parecer-se com o personagem criado e mitificado por Lula.</p>
<p>Todos sabem que o ano de 2011 será um ano de desconforto social, com a economia crescendo metade da de 2010, com inflação acima da meta, especialmente nos alimentos, e os juros mais altos. Há ainda a economia europeia desacelerada, a crise nos países árabes e seus reflexos etc e tal.</p>
<p>Esse desconforto social se acentuará com a menor capacidade de compensação pelos Estados e municípios, maior desemprego, alguma reversão de expectativas e muito maior assanhamento dos políticos da base aliada e da oposição.</p>
<p>E o imaginário popular, tão acostumado ao estilo anterior, vai suspirar nas esquinas: &#8220;Ah, com Lula isso não estaria acontecendo&#8221;. Nesse momento, a popularidade de Dilma despencará. E Lula correrá em seu auxílio, piorando a situação. Como disse Bertolt Brecht: &#8220;Infeliz a nação que precisa de heróis&#8221;</p>
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		<item>
		<title>Folha de coca</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/folha-de-coca/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Feb 2011 14:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A publicidade do governo boliviano diz que &#8220;folha de coca não é droga&#8221;. E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial. Bartolomé &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/folha-de-coca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A publicidade do governo boliviano diz que &#8220;folha de coca não é droga&#8221;. E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial.<br />
Bartolomé Arzáns em seu &#8220;Relatos de la Villa Imperial de Potosí&#8221; (Plural Editores, Bolívia), escrito no início do século 18, num capítulo, destaca a folha de coca e seus efeitos, (&#8220;1674 &#8211; Da erva chamada coca&#8221;, pág. 353).</p>
<p>Potosí pertencia ao vice-reino do Peru. Sua montanha de prata financiou a Europa por uns cem anos. Arzáns fala do &#8220;enorme mal que afeta o Peru: possuir a erva chamada coca, que usam os ministros do diabo para seus vícios&#8221;.</p>
<p>Cita Pedro Cieza, que dizia (&#8220;Crônica del Peru&#8221;) que, em todo lado que ia, via os índios se deleitarem em trazer nas bocas a erva de coca, em pequenos bolos de onde sacam uma certa mistura. &#8220;Trazem essa coca na boca desde a manhã até dormir&#8221;. Cieza perguntou aos índios qual a razão e eles disseram que, com isso, &#8220;não sentem fome e ganham grande força e vigor&#8221;.</p>
<p>Arzáns diz que a coca no Peru é &#8220;apreciada&#8221; pelo menos desde 1548 e &#8220;hoje&#8221; em Cuzco, La Paz e La Plata. E que na Espanha se enriquece vendendo coca. Por acabar com a fome e dar grande força e vigor, nenhum índio entra em uma mina ou faz obras &#8220;sem levá-la na boca, mesmo que reduza a sua vida&#8221;. Índio não podia entrar em mina sem estar mascando folha de coca.</p>
<p>Arzáns diz que experimentou e sua língua ficou &#8220;gorda, áspera e abrasada&#8221;. Essa erva tira o sono dos índios, segue Arzáns, e com ela não sentem frio, fome ou sede. Os índios não podem trabalhar sem ela.<br />
&#8220;Moída e em água fervendo, abre os poros, esquenta o corpo e abrevia o parto&#8221;. Mas seu uso vira vício e o &#8220;demônio, que é o inventor dos vícios, faz notável colheita de almas&#8221;.</p>
<p>A coca é usada pelas feiticeiras. &#8220;Os que se viciam se perdem e vivem de esmolas para manter esse infernal vício, que lhes priva do juízo, como bêbados, e lhes dá terríveis visões&#8221;. Usá-la dá excomunhão. A famosa feiticeira Claudia a aplica e faz um homem deitar com uma velha pensando que é uma jovem, conta Arzáns. E que um espanhol rico foi morar com Claudia e comeu tortas pensando que eram as de sua terra.</p>
<p>Um músico convidado para uma casa viu que serviam coca em bandeja de prata e para, não falar sobre os viciados que vira, esses lhe suplicaram que a usasse. O músico saiu à 19h, vagando, e só chegou em casa à meia-noite. E segue contando Arzáns: &#8220;Um enfermo, ao beber a erva com licor, ficou bom. Mas morreu um ano depois. Uma mulher pediu a criada que lhe desse coca. Com a negativa, ela levantou-se furiosa e meteu um punhado da erva na boca e, dizendo disparates, caiu morta&#8221;. Nem tão trivial assim.</p>
<p><em>Folha de São Paulo: 5/2/11</em></p>
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		<title>A corte dos anjos</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/a-corte-dos-anjos/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Jan 2011 20:12:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo &#8211; 22/01/2011 &#8220;Governar é fazer crer&#8221;, dizia Maquiavel. As lideranças míticas, sejam políticas, sociais ou religiosas, se afirmam por dois caminhos distintos. De um lado, os líderes cuja autoridade se afirma como guias de seus povos. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/a-corte-dos-anjos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo &#8211; 22/01/2011 </em><br />
&#8220;Governar é fazer crer&#8221;, dizia Maquiavel. As lideranças míticas, sejam políticas, sociais ou religiosas, se afirmam por dois caminhos distintos.</p>
<p>De um lado, os líderes cuja autoridade se afirma como guias de seus povos. São os detentores da legitimidade pelas ideias que conduzirão seus povos ao paraíso. Perón e Vargas são exemplos.</p>
<p>Outras lideranças legitimam a sua autoridade pela ausência. Representam divindades. O que os legitima está ausente deles, está em outro plano. padre Cícero, no Ceará, e Santa Dica, em Goiás, são exemplos. Maria de Araújo, beata de padre Cícero, em transe, ao meio de milagres, conversava com os anjos.</p>
<p>Santa Dica, em transe, ia até a &#8220;corte dos anjos&#8221; e voltava com as orientações a serem seguidas. Padre Cícero elegia e elegeu-se. Santa Dica elegeu seu companheiro. O monopólio da legitimação pela ausência trouxe e traz conflitos interreligiosos.</p>
<p>A autoridade legitimada pela ausência não é restrita à esfera religiosa. Líderes políticos, em diversas épocas, ao se incluir no universo dos deuses, assim se legitimavam.</p>
<p>Ramsés 2º, Júlio Cesar e Hirohito são exemplos. Em outros, a própria nação é uma divindade. Agitam com símbolos milenares, cenografia e coreografia relativas. Representam essa divindade-nação ausente. Hitler (a raça germânica superior) é um caso.</p>
<p>Outras vezes, essa divindade é um autor cujas ideias são estruturadas como dogmas. A legitimação pela ausência se refere a eles e a suas ideias. O líder é quem representa essas ideias da forma mais autêntica. Marx foi usado assim. Depois vieram as suplementações de legitimação derivada: leninismo, stalinismo&#8230;</p>
<p>Outro tipo de legitimação da autoridade se dá pela contra-ausência. Ou seja uma ausência que coloca em risco o país e exige a delegação de todos ao líder. O &#8220;perigo vermelho&#8221; foi usado assim, legitimando líderes e ditadores. &#8220;O imperialismo ianque&#8221;, idem.</p>
<p>Mas há um tipo de liderança mítica que se parece com a do tipo guia dos povos. Apenas se parece. Na verdade, legitima-se também pela ausência. O povo, em abstrato, passa a ser uma divindade. Um povo amalgamado que incorpora todos os valores de fé, justiça e de esperança. E de dentro desse amálgama surge o líder, que é ele, o próprio povo, encarnado em sua pessoa, como redentor. As lideranças míticas são desintegráveis pelo fracasso, pela desmistificação (falsos profetas), pela força ou por outros tipos de líderes míticos. Num regime democrático, a força se exclui. Quando a alternância acontece em uma conjuntura de sucesso, a desmistificação não é tarefa simples. Nessas condições, um líder racional alternativo precisaria de alguma dose de legitimação de sua autoridade pela ausência.</p>
<p>Quaisquer delas.</p>
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		<title>A oposição política</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Jan 2011 14:31:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A oposição aos governos se dá de três formas. <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/a-oposicao-politica/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em 08.1.2011 em Folha de São Paulo</em></p>
<p>A oposição aos governos se dá de três formas.</p>
<p>A primeira é a clássica oposição ideológica, em que um partido se opõe ao governo por suas ideias (esquerda-direita, liberalismo-socialismo…). Era a oposição clássica nos séculos 19 e 20. Aponta a sua própria base eleitoral. E tende a afirmar a base ideológica do governo.</p>
<p>A segunda é a função constitucional de fiscalização e legislação. Aqui, a oposição procura destacar os desvios constitucionais, a conduta do governo e as contradições entre o que diz e o que faz e separar propaganda da realidade.</p>
<p>É como uma guerrilha política, parlamentar e judicial, que desgasta progressivamente o governo por seus desvios, afetando a sua imagem.</p>
<p>A terceira forma é a mais importante do ponto de vista político-eleitoral e a mais abrangente, pois amplia a base de apoio da oposição. Depende das circunstâncias, e não da vontade da oposição.</p>
<p>Numa conjuntura de problemas que enfrente o governo (econômica, moral…), a oposição deve estressar os problemas e estender, no tempo, o debate sobre eles. Mas não é a oposição que os cria.</p>
<p>Para isso, deve estar atenta aos problemas no nascedouro e dar oxigênio para a opinião pública e a imprensa.</p>
<p>Os valores, por exemplo, cabem na primeira forma, mas podem surgir na terceira.</p>
<p>A questão do aborto no Brasil em 2010 é um exemplo. Era questão fora do debate. Mas o PNDH-3 reabriu a discussão. A oposição chegou atrasada, e o tema veio de baixo para cima, pelas igrejas.</p>
<p>Transformou-se em “hit” da terceira forma em 2010 e reforçou a identidade conservadora.</p>
<p>Nos EUA, os republicanos em 2009/2010 mostraram maestria ao trabalhar nas três frentes: ideológica, parlamentar e conjuntural, explorando os pontos frágeis de Obama e a economia. A vitória foi tripla.</p>
<p>Exemplo da segunda forma são as sistemáticas invasões de competência do Executivo sobre o Senado, em que a oposição tem se mantido passiva.<br />
As questões temáticas (saúde, segurança, educação…) devem ser tratadas simultaneamente nas três formas. Por exemplo, as políticas públicas relativas à regulamentação da emenda 29 na saúde, os resultados pífios da educação, o aumento da violência.</p>
<p>2011 anima a oposição. Os problemas de gestão política serão inevitáveis num governo montado por cotas. Virão ampliados num ano frágil economicamente, vis a vis a lembrança do mito. Abrem um amplo espaço à oposição.</p>
<p>Se fatos passam a ter cobertura da imprensa em forma de campanha, mais fácil será multiplicar em direção à sociedade e galopar os espaços abertos. E a artilharia deve ser sistemática e diversificada, à moda europeia. Nunca se sabe qual é o “tipping point”.</p>
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		<title>Oposição Deprimida</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jan 2011 18:21:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 1/1/11 Se há uma rotina na política são as crises de bolso que ocorrem nos partidos que perdem as eleições. Em geral, duram o tempo dos partidos entenderem que exacerbar os conflitos pela perda de uma &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/oposicao-deprimida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>Folha de São Paulo, 1/1/11</em></p>
<p>Se há uma rotina na política são as crises de bolso que ocorrem nos partidos que perdem as eleições. Em geral, duram o tempo dos partidos entenderem que exacerbar os conflitos pela perda de uma eleição é perder duas vezes.</p>
<p>Afinal, as circunstâncias criaram um ambiente eleitoral de difícil superação, pelo crescimento reativo da economia após um ano de recessão, o uso e o abuso de recursos gobbellsianos, o descolamento do presidente de seu próprio governo. Para quem gosta de sofrer, vale lembrar que os problemas ocorreram nos anos anteriores às eleições: em 2005 o mensalão e em 2009 a recessão. Se fosse um ano depois, o quadro poderia ter sido diferente. Mas não foi.</p>
<p>É verdade que a oposição cometeu erros, e não foram poucos. Entre eles, ignorar a pré-campanha, não coordenar os Estados, imaginar que uma continuidade do tipo &#8220;o Brasil pode mais&#8221; seria percebida como alternativa, exaltar a condição de &#8220;estadista&#8221; do principal adversário, monotematizar a saúde e, finalmente, entrar nos escândalos na lógica da imprensa.</p>
<p>Mas com uma campanha sem esses erros, o resultado seria o mesmo. Talvez com uma diferença menor e com um sofrimento maior.</p>
<p>E por que a oposição está tão deprimida? Porque supervaloriza a popularidade do presidente e começa a antecipar outra derrota em 2014.</p>
<p>Alguns dizem assim: se o governo eleito for bem, vai ganhar, e, se for mal, volta Lula como salvador. Raciocínio que estimula os mais afoitos a correr para a ampla &#8220;base aliada&#8221;. Aí pelos Estados, há cargos disponíveis à vontade.</p>
<p>A história política mostra que não há nenhuma razão para supervalorizar a popularidade. Não falo de superpopularidade conjuntural, como a de Sarney durante o Plano Cruzado. Ou Jango, líder popular que sucedeu Getúlio e que perdeu a eleição para senador no Rio Grande do Sul um mês e dez dias depois do suicídio que mobilizou o país.</p>
<p>Falo de popularidades estruturais. Clemenceau, chefe de governo francês, líder e mito na Primeira Guerra Mundial, que, um ano depois do encerramento dessa guerra, perdeu a eleição e o governo. E Churchill, chefe de governo na Grã-Bretanha, herói da Segunda Guerra Mundial, a quem o mundo deve tanto. Perdeu a eleição e o governo seis meses depois do fim da guerra.</p>
<p>Mitos na política são solúveis em qualquer prazo. Mais ainda quando a popularidade é construída como essas pirâmides financeiras, por meio de derivativos de sabão.</p>
<p>Mas os solventes devem vir do próprio processo político, aplicados pela oposição. Claro, uma oposição ativa e otimista, que saia rápido do divã e vá às r</p>
</div>
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		<title>Uma mulher presidente</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/uma-mulher-presidente/</link>
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		<pubDate>Wed, 05 Jan 2011 18:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo da Folha de São Paulo em 25/12/2010 Em 2010, cumpriram-se os 250 anos do nascimento da primeira mulher presidente no Brasil, Bárbara de Alencar. Ela nasceu em Exu (PE), em 1760. Mudou-se para o Crato (CE) depois do casamento, &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/uma-mulher-presidente/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Artigo da Folha de São Paulo em 25/12/2010</p>
<p>Em 2010, cumpriram-se os 250 anos do nascimento da primeira mulher presidente no Brasil, Bárbara de Alencar.</p>
<p>Ela nasceu em Exu (PE), em 1760. Mudou-se para o Crato (CE) depois do casamento, em 1782, com José Gonçalves dos Santos, comerciante de tecidos naquela vila, com quem teve quatro filhos.</p>
<p>Foi a primeira mulher a se envolver, para valer, em política no Brasil -durante a revolução pernambucana de 1817, com vistas à independência e à República. O Ceará e outras províncias limítrofes aderiram -no Ceará, especialmente na região do Cariri.<br />
Bárbara de Alencar liderou esse movimento no Crato, ampliando a revolução em Pernambuco. Ela declara a independência e proclama a República do Crato, assumindo a presidência. Com a derrota em Pernambuco, a rebeldia nas demais províncias foi sendo desmontada pelas forças do Conde dos Arcos, governador da Bahia, a mando de dom João 6º.</p>
<p>Bárbara foi presa em Fortaleza. Por quatro anos, foi mantida presa em Fortaleza, Recife e Salvador. Ganha a liberdade no ato de anistia geral de novembro de 1821. Teve quatro filhos, três homens.</p>
<p>Em 1824, outra revolução em Pernambuco: a Confederação do Equador, liderada por Frei Caneca. No âmbito desse movimento, no Ceará, Crato, Icó e Quixeramobim aderiram.<br />
Seus três filhos homens se envolveram. Em 26 de agosto de 1824, foi declarada a República do Ceará e designado presidente Tristão de Alencar, um dos filhos de Bárbara.</p>
<p>A repressão das forças imperiais culminou com a morte de dois de seus filhos: Tristão e Carlos. José Martiniano de Alencar sobreviveu e, mais tarde, terminou se credenciando como deputado às cortes constitucionais de Lisboa.</p>
<p>Foi governador do Ceará e senador. Seu filho José de Alencar foi escritor, poeta e fundador do indianismo com seu &#8220;O Guarani&#8221;.</p>
<p>A força da memória de Bárbara de Alencar ressurgiu em 1869, na escolha de senador em uma lista tríplice. Os conselheiros de dom Pedro 2º sugeriram o veto a José de Alencar, apesar de ele ter sido ministro da Justiça pouco tempo antes. O temor era que as ideias republicanas que começavam a ser reativadas pudessem coincidir com o DNA de José de Alencar.</p>
<p>Neste ano de 2010, em que o Brasil registra e comemora a assunção de uma mulher ao cargo de presidente da República, faltaram as comemorações em memória de Bárbara de Alencar, primeira mulher política brasileira, primeira presidente de República, do Crato, e mãe de outro presidente de República, do Ceará.</p>
<p>E, quem sabe, ancestral de outro cearense Alencar presidente: Humberto. A conferir.</p>
<p>CESAR MAIA escreve aos sábados nesta coluna.</p>
</div>
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		<item>
		<title>Lula: missão abreviada</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Dec 2010 20:23:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 18/12/10 O que aproxima o padre Ibiapina (1806-1883), o padre Cícero (1844-1934) e Antonio Conselheiro (1830-1897) é o mesmo livro de cabeceira: “Missão Abreviada” (720 págs.), do padre Manuel José Gonçalves Couto. Editado em 1859, foi &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/12/lula-missao-abreviada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 18/12/10</em></p>
<p>O que aproxima o padre Ibiapina (1806-1883), o padre Cícero (1844-1934) e Antonio Conselheiro (1830-1897) é o mesmo livro de cabeceira: “Missão Abreviada” (720 págs.), do padre Manuel José Gonçalves Couto. Editado em 1859, foi o livro de maior tiragem em Portugal no século 19 (150 mil exemplares).</p>
<p>Padre Ibiapina nasceu em Sobral (CE). Foi magistrado e deputado. Voltou ao seminário e, aos 47, iniciou a vida missionária pelo Nordeste, fazendo igrejas, cemitérios, açudes. Chamado de “mestre”, criou a ordem dos beatos e beatas que o acompanhavam.</p>
<p>Aonde ia, o “mestre” aconselhava e ajudava. Seu mito gerou reação do bispado. Padre Cícero nasceu em Crato (CE) e seguiu a mesma cartilha, com base em Juazeiro do Norte. Os milagres da beata Maria de Araújo (recebia a óstia e esta sangrava) multiplicaram o número de romeiros e de beatos que os seguia.</p>
<p>Distribuía conselhos, bênçãos e esmolas. Apesar da perseguição pelo bispado, as romarias não pararam de crescer. Chegou a Juazeiro do Norte quando tinha 40 casas. Hoje é a terceira cidade do Ceará -300 mil habitantes. Tornou-se mito. “Roma” proibiu-o de exercer os sacramentos.</p>
<p>Apoiou a derrubada do governo do Ceará com um exército de beatos, cabras e jagunços. Foi prefeito por quase 20 anos e deputado federal (nunca foi ao Rio exercer o mandato).<br />
Antonio Conselheiro nasceu em Quixeramobim (CE). Em Sobral, foi um rábula dos pobres. Cruzou o Nordeste por 30 anos, como o Mestre Ibiapina, construindo capelas e cemitérios. Beatos e beatas o acompanhavam. Aonde ia, aconselhava e ajudava. Estabeleceu-se em Canudos, na área que chamou de Belo Monte. Interpretou o Novo Testamento num manuscrito de 245 páginas, com letra desenhada (disponível em CD).</p>
<p>Monarquista, adotou um sistema coletivista. Tinha 30 mil habitantes quando o Exército o massacrou em 1897.</p>
<p>Os três falaram aos excluídos. Foram a esperança dos miseráveis, com conselhos, esmolas e o reino dos céus.</p>
<p>A repressão católica abriu espaço aos evangélicos com um mesmo estilo. Os dois principais líderes das Ligas Camponesas eram evangélicos (ver “Cabra Marcado para Morrer”). Método com o qual os mais pobres do Nordeste se identificam até hoje.</p>
<p>Enquanto Lula era um líder operário urbano, disputou voto entre eles em igualdade com os demais candidatos.</p>
<p>Em 2005, Lula muda. Incorpora o retirante e passa a falar aos excluídos, com conselhos, ajuda e esperança, na terra e no céu. Em 2006 e 2010, nas regiões que foram palco da peregrinação dos três, a “Missão Abreviada” produziu vitórias eleitorais na casa dos 80% no segundo turno.</p>
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		<title>Narcovarejo no Rio</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 20:25:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 4/12/10 Garry Gasparov, o maior jogador de xadrez de todos os tempos, em 2005 afirmava: “O jogo requer a disciplina de pensar muito além do presente e muito além de você mesmo. Não apenas pensar no &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/12/narcovarejo-no-rio/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 4/12/10</em></p>
<p><em></em>Garry Gasparov, o maior jogador de xadrez de todos os tempos, em 2005 afirmava: “O jogo requer a disciplina de pensar muito além do presente e muito além de você mesmo. Não apenas pensar no seu tabuleiro, mas também no do seu oponente. Para cada movimento, tem que calcular a resposta de seu oponente. Não só a resposta imediata, mas também dez ou 15 movimentos antecipados”.</p>
<p>A ocupação do Complexo do Alemão é mais um episódio da história do tráfico no Rio, que vem do final dos anos 70, quando se forma um corredor de exportação de cocaína para a Europa. Este cria um mercado interno para dar sustentação financeira aos grupos nos intervalos entre as partidas de cocaína. E se cristaliza.</p>
<p>O Complexo do Alemão concentrou os traficantes que saíram das favelas de pequeno porte ocupadas pelas UPPs.</p>
<p>Tornou-se uma central do Comando Vermelho. Muito mais importante por isso que pela distribuição de cocaína, que no Rio é concentrada na Rocinha e na Maré -que juntas respondem por mais de 60% da distribuição no varejo.</p>
<p>O Alemão tem 65 mil moradores. A Rocinha e a Maré juntas têm 180 mil. A ocupação do Alemão tem um forte efeito simbólico, restituindo aos militares e policiais a confiança da população. Isso é, em si, muito importante.</p>
<p>O prazo dado desde a ocupação de uma favela ao lado foi usado pelos chefões, que fugiram, na lógica das guerrilhas. Na Operação Rio do Exército (1994) tinha sido assim. Provavelmente estarão em outra comunidade na periferia que, no futuro, terá simbologia semelhante à do Alemão.</p>
<p>Os casos das favelas de Vigário Geral, Parada de Lucas e outras servem como memória.</p>
<p>A ocupação do Alemão foi reativa, como resposta aos atos de microterrorismo perpetrados. Estes, segundo o governo, foram resposta dos traficantes às UPPs. Previsível, até porque outras áreas foram tomadas pelas milícias, que vivem de extorsão.</p>
<p>Se as bocas de fumo do Alemão estão fechadas (espera-se que agora definitivamente), isso nada tem a ver com a demanda de cocaína: os viciados continuarão procurando onde comprar. Para isso existem centenas de outros pontos.</p>
<p>O efetivo policial que ficará no Alemão, mantida a escala das UPPs, estará na casa dos 2.500. Isso é mais que todas as UPPs da zona sul e norte do Rio, que estão em comunidades de 5.000 moradores. Somando ambas, tem-se o mesmo efetivo do policiamento ostensivo na capital, em cada momento.</p>
<p>Abre-se uma oportunidade. Mas, para isso, deve-se seguir o conselho de Gasparov. Ou será mais uma vez uma questão de tempo, pela própria dinâmica da demanda de cocaína (8 ton/ano no Rio) e do narcovarejo correspondente.</p>
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		<title>De volta ao Oriente</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Nov 2010 20:27:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo – 27/11/10 Três importantes reuniões internacionais no espaço de uma semana, neste mês de novembro, marcaram uma guinada em direção ao Oriente. Nas três, o presidente Obama esteve presente. A primeira -a reunião do G20-, que &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/de-volta-ao-oriente/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo – 27/11/10</em></p>
<p>Três importantes reuniões internacionais no espaço de uma semana, neste mês de novembro, marcaram uma guinada em direção ao Oriente.</p>
<p>Nas três, o presidente Obama esteve presente. A primeira -a reunião do G20-, que pela total inutilidade coonestou as políticas econômicas da China e EUA; a segunda, dois dias depois, essa sim efetiva, foi a da Apec (Ásia-Pacífico), que decidiu, com aval dos EUA, China e Japão, a criação de uma mega-área de livre comércio. Ali mesmo o Peru (que há anos tem os melhores indicadores econômicos da América Latina) assinou seu acordo de livre comércio com a Apec; finalmente, a reunião da Otan em Lisboa no último fim de semana, que atribuiu-se funções que antes cabiam ao Conselho de Segurança da ONU.</p>
<p>Com a Europa em recessão (OCDE prevê crescimento de 1,7% em 2011), com os planos ortodoxos no Reino Unido, na Espanha, na França e na Alemanha, as crises da Grécia, Portugal e Irlanda, os problemas de desemprego nos EUA, o chavismo em expansão na América Latina (a ocupação pela Nicarágua de faixa da fronteira da Costa Rica é mais um capítulo) e a política externa de Lula (que foi tratado friamente no G20), Obama tomou o trem e atravessou o país, saindo do Atlântico para o Pacífico. Afinal, tem que cuidar da reeleição, depois da derrota eleitoral. As reuniões da Apec e da Otan são decisões tomadas e que já repercutem.</p>
<p>Na reunião da Otan, Obama foi explícito: “Esse novo conceito estratégico para a Otan identifica novas ameaças das quais temos que defendermo-nos juntos”. As ameaças são o terrorismo, as atividades criminosas no ciberespaço, a proliferação de armas de destruição massiva, seus meios de distribuição…</p>
<p>O novo conceito estratégico reconhece que essas ameaças modernas exigem uma resposta global e põem em marcha um modelo de alianças com outros países e outras organizações. A reunião ampliou a ação da Otan usando como referencia a Isaf -força que a Otan mantém no Afeganistão. A presença de Karzai, seu presidente, assim como do general comandante dos EUA-Isaf no Afeganistão, David Petraeus, afirmou o caráter operacional da reunião.</p>
<p>E não parou aí: a Otan será uma aliança nuclear enquanto houver armas deste tipo no mundo, num recado ao Irã. Foi adotado o princípio da defesa coletiva e a política de “porta aberta”, o que permitirá futuros alargamentos. “Este é um plano de ação histórico”, explicou Rasmussen, secretário-geral da Otan. No novo conceito estratégico, a Otan passa a atuar também em parcerias com outras potências.</p>
<p>Medvedev, presente, saudou a decisão, pela Rússia. Assim, a Otan chega ao Báltico, Negro e Cáspio (Irã). E quase cola na Coreia do Norte.</p>
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		<title>1870: Ontem e hoje</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 20:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo 20/11/2010 Henry Kissinger, em “Diplomacia”, usa todo o capítulo quinto para comparar as características de Napoleão 3º e Bismarck. Ainda vale a abertura de Marx (1852) no capítulo 1 do “18 Brumário”: “Hegel observa que os &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/1870-ontem-e-hoje-2/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo 20/11/2010</em></p>
<p>Henry Kissinger, em “Diplomacia”, usa todo o capítulo quinto para comparar as características de Napoleão 3º e Bismarck. Ainda vale a abertura de Marx (1852) no capítulo 1 do “18 Brumário”: “Hegel observa que os personagens de grande importância na história ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.</p>
<p>Napoleão 3º governou a França por mais de 20 anos (1848-1870), e Bismarck a Prússia e em seguida a Alemanha, com a unificação, por quase 30 anos (1862-1890).<br />
Marcaram estilos e políticas que, reproduzidas hoje, dão razão a Marx.</p>
<p>Kissinger afirma que Napoleão 3º não abria mão de nada para ser popular na França</p>
<p>Internamente, fez um governo bem-sucedido, com a reforma de Paris e a economia. Mas a sua política externa se desfez.</p>
<p>“Seu desejo de publicidade o levou a impulsionar uma série de objetivos contraditórios”.</p>
<p>Segue: “As ações empreendidas pelo capricho do momento e sem relação com uma estratégia geral não podem sustentar-se indefinidamente, (…) pois o êxito é tão esquivo que os governantes que o perseguem rara vez puderam avaliar seus próprios castigos”.</p>
<p>Napoleão 3º dirigiu sua política externa como os líderes de hoje, diz Kissinger, que medem seus êxitos pela reação dos noticiários de TV. “Ficou prisioneiro do puramente tático, enfocando objetivos de curto prazo e resultados imediatos”.</p>
<p>Kissinger diz que “Napoleão 3º foi precursor de um fenômeno moderno: a figura política que tenta desesperadamente descobrir o que deseja o público. Seu legado para a França foi uma paralisia estratégica”. E finaliza: A tragédia de Napoleão 3º foi que “sua ambição sobrepassou sua capacidade”.</p>
<p>O contraponto com Bismarck marca a dicotomia entre ambos. Bismarck, na sua Realpolitik, atualiza a “raison d’Etat” de Richelieu. Explica Kissinger que “a ordem estabelecida não é capaz de perceber sua própria vulnerabilidade quando a mudança tem um caráter conservador, pois as instituições não são capazes de defender-se de quem esperam que as defendam”.</p>
<p>Bismarck, diz Kissinger, “representou uma política divorciada de todo o sistema de valores”. Para ele, a utilidade vinha por cima da ideologia, e “a vantagem estratégica justificaria o abandono dos princípios”. Por isso, o “poder leva consigo sua própria legitimidade”. “Aumentar a influência do Estado era seu objetivo”. É dele a conhecida assertiva: “Política é a arte do possível e a ciência do relativo”.</p>
<p>A repetição descontextualizada dos fatos, na forma do texto de Marx, tem risco muito maior quando se dá sem sequer a consciência dos mesmos.</p>
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		<title>O x do populismo</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/o-x-do-populismo/</link>
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		<pubDate>Sat, 13 Nov 2010 20:31:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo 13/11/2010 Há um paralelismo entre a política e a economia argentina e brasileira em relação às suas especificidades e ao tempo em que ocorrem. Foi assim com Getulio e Perón, com Frondizi e JK, com os &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/o-x-do-populismo/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo 13/11/2010</em></p>
<p>Há um paralelismo entre a política e a economia argentina e brasileira em relação às suas especificidades e ao tempo em que ocorrem. Foi assim com Getulio e Perón, com Frondizi e JK, com os militares, com Collor e Menem, Alfonsín e FHC, com os planos Austral e Cruzado, Primavera e Verão e agora com Kirchner e Lula. As análises de ambas as dinâmicas políticas ajudam a entendê-las. E a preveni-las, se for o caso.</p>
<p>Em sua coluna (“La Nación”), na semana passada, o politólogo Natalio Botana analisa os desafios que virão com a morte de Kirchner. Para unificar o peronismo, só com um líder forte. Afinal são quatro peronismos, como sugere.</p>
<p>A semelhança com o PT tem raízes e história. A base do peronismo é uma liderança popular, onicompreensiva. Seus ciclos sempre dependeram dessas presenças, com Evita e Perón, Menem e depois Kirchner. Na ausência de líder forte, o peronismo perdeu o poder.</p>
<p>Na Argentina, diz, esse tipo de liderança nunca se desenvolveu fora do peronismo. Aliás, como aqui, entendendo o trabalhismo de ontem e de hoje como linhas contínuas.</p>
<p>Diz Botana que, “para isso, as fronteiras do peronismo devem ser laxas, segundo as circunstâncias”. Com cada novo líder, a trama se atualiza e vêm novos registros de concentração do poder. Perón, Menem e Kirchner representaram interesses distintos, mas sempre com a mesma apetência hegemônica. “Quando o êxito está ao alcance da mão, o peronismo é vertical. O paradoxo é que essa concentração se dá com uma base plural: é uno na chefia e plural quanto à sua conformação sociológica”.</p>
<p>São quatro suas tendências internas: a política, a sindical, a revolucionária surgida nos anos 70 e os movimentos sociais mobilizadores ativados nas crises. Kirchner disciplinou sua base parlamentar e os governadores através do caixa, diz Botana. Sublinha que ele foi negociador com o sindicalismo, que tem, aliás, base financeira própria, como aqui.<br />
Com os movimentos sociais, negocia, coopta, mobiliza e desmobiliza, neste caso via políticas sociais. Finalmente, o “setentismo” (ex-revolucionários), “com o qual agregou uma política de reparação histórica. Esses se sentiam como vanguarda que abria uma nova história alimentada com memórias excludentes”.</p>
<p>E conclui Botana: “Dessa forma, sem uma liderança carismática, essas quatro linhas (política, sindical, setentista e movimentos sociais) terão que se cruzar, porque são difíceis de conciliarem-se e exigem a liderança forte como signo de identidade. Mas o pós-líder forte arrasta a complicação dos desengajamentos que ele mesmo produz”.</p>
<p>Não será diferente aqui. Líder fora do poder não é forte. Só se fosse de oposição.</p>
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		<title>1932: ontem e hoje!</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/1932-ontem-e-hoje/</link>
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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 20:32:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo 06/11/2010 Em 1932, Mussolini destacava-se como único líder, chefe de governo de expressão no mundo ocidental. Com formação teórica muito acima da média, poliglota, leitor de filósofos e de grandes escritores, conhecedor de historia, impressionou Emil &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/1932-ontem-e-hoje/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo 06/11/2010</em><br />
Em 1932, Mussolini destacava-se como único líder, chefe de governo de expressão no mundo ocidental. Com formação teórica muito acima da média, poliglota, leitor de filósofos e de grandes escritores, conhecedor de historia, impressionou Emil Ludwig, escritor alemão, biógrafo de Bismarck, Napoleão e Goethe.</p>
<p>Mussolini deu absoluta privacidade, dez tardes seguidas em seu gabinete, para uma entrevista com Ludwig. Esta foi publicada e se transformou em livro logo em seguida: “Colóquios com Mussolini”.</p>
<p>Ludwig explora os conceitos do entrevistado -liderança, governo, autoridade, nacionalismo, poder, países, história, artes, atributos do líder, Estado… Mussolini passou a ser referência para outros líderes políticos. Salazar mantinha seu busto na mesa de trabalho. Getúlio usou na “Constituição” de 1937 o conceito de Parlamento corporativo num governo autoritário. Mussolini mitificava a ação, mas refletia e cristalizava seus conceitos.</p>
<p>Esses, difundidos, formaram e formam gerações de lideranças populistas-autoritárias, com ou sem consciência da escola de influências que receberam. Com a ascensão do populismo autoritário na América Latina, cumpre ir a essas raízes, até para que esses saibam de que fonte vem a água que bebem.<br />
Diz Mussolini que, “para governar as massas, temos que usar duas rédeas: o entusiasmo e o interesse. Confiar em uma só é estar em perigo. O lado místico e o lado político estão subordinados um ao outro. Este sem aquele se torna árido. Aquele sem este se desfolha ao vento das bandeiras”.</p>
<p>Numa afirmação, desnuda a base do populismo: “A massa não deve saber, mas crer. Só a fé remove montanhas. O raciocínio não. Este é um instrumento, mas jamais motor da multidão”. Sobre sua relação direta com as massas, diz: “Deve-se dominar as massas como um artista domina sua arte”. E ensina: “Deve-se ir do místico ao político, da epopeia à prosa”.</p>
<p>É nessa entrevista que Mussolini usa uma frase que marcou seu machismo: “A multidão adora homens fortes. A multidão é feminina”. Ludwig, vendo sua chegada ao balcão de seu gabinete no palácio Veneza para saudar a multidão, comenta: “No balcão, olhando as massas, ele tem o ar de autor dramático, que chega ao teatro e vê os atores impacientes para o ensaio”. Mussolini segue: “Cumpre tirar dos altares sua santidade, o povo. A multidão não revela segredos. Quando não é organizada, a massa é um rebanho de ovelhas. Nego que ela possa se reger por si só”.</p>
<p>Ludwig registra o que ele ensina e que deveria servir ao mesmo Mussolini e a tantos outros, especialmente os de aqui e agora: “Veja só o que Brunsen disse de Bismarck: ‘Tornou a Alemanha grande e os alemães pequenos’”.</p>
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		<title>Emulsificação política</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/emulsificacao-politica/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 13:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A campanha eleitoral 2010 tem vários custos além do que é mais óbvio: o da campanha. Nesta eleição, são ao menos seis os custos adicionais. O primeiro custo é o de cumprir as promessas. O segundo é o de não &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/11/emulsificacao-politica/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A campanha eleitoral 2010 tem vários custos além do que é mais óbvio: o da campanha.</p>
<p>Nesta eleição, são ao menos seis os custos adicionais.</p>
<p>O primeiro custo é o de cumprir as promessas. O segundo é o de não cumprir as promessas. O terceiro custo é o de a agenda final do primeiro turno e inicial do segundo ter tido um caráter religioso. O quarto é o custo econômico para o Brasil da política econômica eleitoral, com o real valorizado e contas públicas em processo de desmontagem. O quinto é o custo estratégico de se sair de uma campanha sem agenda e sem projeto para o país. O sexto é o custo político de uma Câmara estilhaçada.</p>
<p>Ao primeiro custo (as promessas dos candidatos) devem-se somar aquelas feitas pelos candidatos a governador articuladas com os candidatos a presidente. Se cumpridas, as pressões fiscais e inflacionárias, que já são preocupantes, serão agravadas. O segundo custo é não cumprir as promessas e ganhar tempo e, com isso, antecipar uma inevitável impopularidade, pela sucessão de um presidente cuja popularidade é pessoal, não de seu governo. O terceiro custo é trazer para a agenda eleitoral temas (valores cristãos) que terminaram reforçando a partidarização das igrejas.</p>
<p>O quarto custo é econômico. Se há um ponto em que o governo atual e o anterior se igualam é ter usado o populismo cambial e fiscal em ano eleitoral. O governo anterior pagou por isso em seu segundo momento.</p>
<p>Constrói-se um consenso de que 2011 será um ano perdido, que exigirá um freio de arrumação cambial e fiscal. Estima-se uma inflação nunca inferior a 7% e um crescimento econômico medíocre.</p>
<p>O quinto é o custo estratégico de uma campanha sem agendas. Questões fundamentais para os próximos anos -como a política externa e as circunstâncias internacionais do governo Obama &#8220;terminar&#8221; dois anos antes; a dependência à China; a guerra das moedas; França e Grã-Bretanha estarem aplicando medidas fiscais severas; a Europa viver a politização da crise da imigração; o chavismo extrapolar suas provocações; o Irã intensificar a instabilidade na região- passaram ao largo da campanha.</p>
<p>E, finalmente, o custo político das relações entre Executivo e Câmara dos Deputados, que tendem a ser as mais inorgânicas desde sempre. São 22 partidos representados, um recorde. Os quatro maiores partidos apenas representarão 50% dela, outro recorde.</p>
<p>E, mais grave, se a inexperiência parlamentar e sua fragilidade potencial (numa das alternativas presidenciais) sinalizarem a seu partido e aos deputados espertos que vale a pena pressionar.</p>
<p><em>Folha de São Paulo, 30/10/2010</em></p>
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		<title>Voto conservador</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/10/voto-conservador/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Oct 2010 19:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Provavelmente a agenda conservadora da eleição presidencial brasileira (valores cristãos, aborto) seja parte de uma agenda conservadora global, que toma conta da Europa e dos EUA. Dias atrás, a Internacional Democrata de Centro, IDC, (cuja base é o Partido Popular &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/10/voto-conservador/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Provavelmente a agenda conservadora da eleição presidencial brasileira (valores cristãos, aborto) seja parte de uma agenda conservadora global, que toma conta da Europa e dos EUA.</p>
<p>Dias atrás, a Internacional Democrata de Centro, IDC, (cuja base é o Partido Popular Europeu, PPE, partido de centro-direita, maioria no Parlamento Europeu), reuniu-se em Marrakech. Estava presente o Istiqlal, partido da independência, que governa, ao lado do rei Mahome 4º, o Marrocos, realizando reformas liberalizantes.</p>
<p>O Marrocos é um país islâmico, sunita, muçulmano, mas com liberdade religiosa.<br />
Com a inclusão do Istiqlal, a IDC incorpora um partido islâmico e altera, de fato, a sua denominação (democrata-cristã) para democrata de centro.</p>
<p>No discurso, o líder do PPE, W. Martin, ex-primeiro-ministro da Bélgica, falou de um clima de desconfiança por parte da opinião pública europeia.</p>
<p>Afirmou que a questão básica, pré-crise financeira, é o debilitamento dos valores cristãos, os mesmos dos islâmicos sunitas em relação à vida e à família. E disse: &#8220;O PPE tem que ser um partido de valores&#8221;; &#8220;somos uma união de valores cristãos e conservadores, que são a fonte da democracia&#8221;.</p>
<p>O primeiro-ministro do Marrocos, Abas El Fassi, completou: &#8220;Cremos nos valores, nos direitos humanos, no pluripartidarismo, somos contra o racismo, contra os fundamentalismos&#8221;.</p>
<p>Nesta semana, Merkel, primeira-ministra alemã, afirmava em relação aos muçulmanos, para amplo destaque na imprensa europeia: &#8220;Os esforços para construir uma sociedade multicultural fracassaram absolutamente&#8221;.</p>
<p>Cerca de 60% dos alemães concordaram. Semanas atrás, Berlusconi afirmava sua intolerância com os ciganos. Não foi diferente Sarkozy, relacionando-os à delinquência. E abriu sua clara oposição ao uso do véu islâmico em lugares públicos e nas escolas.<br />
No início de novembro, realizam-se nos EUA eleições para a Câmara dos Deputados. A ala mais conservadora do Partido Republicano (Tea Party) obteve vitórias nas primárias.<br />
Radicaliza em relação ao aborto, ao casamento, aos indocumentados hispânicos. Já não se têm dúvidas da derrota do Partido Democrata e do avanço conservador.</p>
<p>O que se aguarda é o quanto a representação mais conservadora avançará no Parlamento. Já se demonstrou, por pesquisas nacionais, que o &#8220;partido&#8221; majoritário no Brasil é conservador nos valores e estatizante na economia. A onda azul chegou por aqui e só fez aflorar o que já existia.</p>
<p>Aliás, onda que já entrou pela Colômbia e pelo Chile.</p>
<p><em>Cesar Maia, Folha de São Paulo 23/10/2010</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Ciclos políticos</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/10/ciclos-politicos/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 11:39:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há certa tendência do eleitorado em dar aos governos um prazo maior que o de um mandato para mostrar a que vieram. A reeleição é percebida como um mandato de oito anos, com &#8220;recall&#8221; no quarto. Só um governo desastrado &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/10/ciclos-politicos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há certa tendência do eleitorado em dar aos governos um prazo maior que o de um mandato para mostrar a que vieram. A reeleição é percebida como um mandato de oito anos, com &#8220;recall&#8221; no quarto.</p>
<p>Só um governo desastrado não consegue a reeleição.</p>
<p>Mesmo aqueles com avaliação regular tendem a conseguir o segundo mandato, projetando expectativas a partir do tempo que precisam. E do uso da máquina. Nos regimes parlamentaristas, estes ciclos costumam ir além dos oito anos, mas raramente acima de 12 anos. Helmut Kohl, na Alemanha, foi uma exceção: governou 16 anos.</p>
<p>As razões para o esgotamento dos ciclos decenais são conhecidas. As expectativas excedem, e vem um julgamento muito mais enérgico que no primeiro mandato. O eleitorado muda, com a inclusão dos que eram jovens sem direito a voto antes. É o conhecido &#8220;desgaste de material&#8221; que o exercício do poder impõe.</p>
<p>&#8220;Desgaste de material&#8221; é quando o governante passa a ter a intimidade do eleitor e perde a capacidade de criar expectativas e de surpreender.</p>
<p>A sensação de que as mudanças, ou mais mudanças, não virão estimula o eleitorado a buscar a alternância.</p>
<p>No entanto, nada disso é automático, e menos ainda compulsório. Depende da oposição. Quando uma força política, ou uma coligação, vê seu ciclo terminar e toma isso como fracasso seu, e não como a alternância de ciclos, produto da tendência natural do eleitor, se precipita e passa a se autoflagelar. E, assim, transforma em desastre uma derrota natural e previsível.</p>
<p>O novo ciclo, que poderia ser mais curto, termina sendo mais longo, pela fragilização da oposição. A entrada de um novo ciclo político exige das forças políticas que estão fora da nova onda paciência e talento. Paciência para entender esse processo e não ter crises de ansiedade. Talento para encurtar a duração da nova onda.</p>
<p>Em 2002, a percepção da oposição era que o governo que assumia produziria um desastre. Ficou esperando. O desastre não veio, e uma expansão mundial lhe deu até conforto. No &#8220;mensalão&#8221; de 2005, a palavra de ordem que prevaleceu foi &#8220;deixar sangrar&#8221;. A sangria passou rapidamente, com umas demissões, o crescimento econômico e a intensificação dos programas assistenciais.</p>
<p>Por aqui, um novo ciclo atrai políticos de um lado para outro. Nos países em que o voto é distrital ou em lista, com poucos partidos, isso não ocorre. Num país federado e continental como o Brasil, esses ciclos se dão também em nível regional. E o que se vê, país afora, é uma ingênua e imprudente autoflagelação dos perdedores. Paciência e talento aos perdedores.</p>
<p><em>Folha de São Paulo, 18/10/2010</em></p>
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