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	<title>Cesar Maia &#187; Novidades e Publicações</title>
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	<description>Site oficial do ex-prefeito Cesar Maia</description>
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		<title>Cesar Maia é eleito vice-presidente da IDC</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2011 15:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Cesar Maia foi eleito Vice-Presidente da  Internacional Democrata de Centro – IDC por unanimidade.
 <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/06/cesar-maia-e-eleito-vice-presidente-da-idc/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na reunião do Comitê Executivo da IDC, realizada na última sexta-feira (24) em Bruxelas, Cesar Maia foi eleito Vice-Presidente da  Internacional Democrata de Centro – IDC. Cesar foi indicado pelo presidente do DEM, senador José Agripino Maia. Seu nome foi apresentado na reunião pelo Secretario Geral da IDC, Antonio Lopez-Isturiz, e foi aprovado por unanimidade.</p>
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		<title>Pontos fora da curva</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jun 2011 16:54:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo: 4/6/2011 A política tem tendências de longo prazo que se expressam, em números aproximados, nos processos eleitorais. Nas eleições de 1947, por exemplo, PTB e PCB -partidos ligados ao &#8220;trabalhismo&#8221;- somaram uns 12% dos deputados federais. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/06/pontos-fora-da-curva/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;">Folha de São Paulo: 4/6/2011<br />
A política tem tendências de longo prazo que se expressam, em números aproximados, nos processos eleitorais.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas eleições de 1947, por exemplo, PTB e PCB -partidos ligados ao &#8220;trabalhismo&#8221;- somaram uns 12% dos deputados federais. Nas eleições seguintes, foram crescendo progressivamente, até que em 1962 o PTB tornou-se o principal partido, com uns 30% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">O golpe de 1964 interrompeu esse processo, mas apenas provisoriamente. Com a redemocratização, o &#8220;trabalhismo&#8221; retornou com cara própria -com o PDT e o PT, inicialmente. E esse processo se repetiu: partindo praticamente de uns 10% dos deputados federais, seu crescimento foi permanente. A diferença é que agora o &#8220;trabalhismo&#8221; é muito mais pulverizado.<br />
O PT tem 16,5% dos deputados, e a este somam-se PDT, PSB, PC do B, PSOL&#8230; para chegar aos mesmos 30% ou pouco mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem olha as correntes abaixo da linha do mar ou a floresta de cima perceberá essas tendências. Mas há eleições que são pontos fora da curva. Por exemplo, a do Plano Cruzado de 1986, quando o PMDB elegeu todos os governadores, menos o de Sergipe, e 52% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem pensou que tal eleição lançava uma nova tendência, se deu mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois anos e meio depois, Fernando Collor vencia as eleições presidenciais disputando com Lula o segundo turno. Brizola foi o terceiro candidato mais votado. Em 1990, o PMDB passava a ter 20% dos deputados federais.</p>
<p style="text-align: justify;">A eleição de 2010 é outro ponto fora da curva. Um presidente mitificado, entrando no processo eleitoral como fator exógeno, gravando &#8220;telemarketing&#8221;, aparecendo na TV, inventando sua candidata a presidente e elegendo-a, pedindo votos aos seus e contra os adversários, num processo nunca visto nas democracias maduras. Ele levou o que queria: a máquina presidencial.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para não ter riscos, foi cedendo espaço nos Estados para seus parceiros. O PT fez 16,5% dos deputados federais, cinco governadores -só dois em Estados mais importantes: Bahia e Rio Grande do Sul.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto o ponto fora da curva pela popularidade do presidente em 2010 deixou fundações tão frágeis quanto em 1986 -quando, depois, ocorreu o que ocorreu.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2012 e em 2014, o processo eleitoral voltará à normalidade. Isso não quer dizer que uma ou outra força política se beneficiará. Apenas que não haverá fator exógeno. O custo dos artificialismos para ganhar parceiros já está sendo cobrado e as eleições serão competitivas.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos estão no jogo. Perdedores serão aqueles que se agarrarem naquele ponto fora da curva de 2010. Cairão como aqueles que caíram depois de 1986. O PMDB parece ter aprendido a lição.</p>
</div>
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		<title>Jangada de pedra</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/jangada-de-pedra/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 08:42:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A reação política europeia à crise econômica de 2008-2009 foi virar o leme à direita. Os casos residuais, atentos a essa tendência, terminaram caindo numa armadilha: adotar as mesmas políticas à direita, buscando legitimar-se pela esquerda. Não podia dar certo. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/jangada-de-pedra/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p style="text-align: justify;">A reação política europeia à crise econômica de 2008-2009 foi virar o leme à direita. Os casos residuais, atentos a essa tendência, terminaram caindo numa armadilha: adotar as mesmas políticas à direita, buscando legitimar-se pela esquerda. Não podia dar certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois casos residuais mais importantes são os de Portugal e da Espanha. Ambos caminham para se incorporar aos demais, com a provável vitória de seus partidos conservadores, o PSD em Portugal, na próxima semana, e o PP na Espanha, no início de 2012.</p>
<p style="text-align: justify;">As eleições regionais e locais na Espanha, na semana passada, com vitória histórica do PP, já apontaram nessa direção, incluindo a tomada de redutos tradicionais sob controle dos socialistas do PSOE.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, o georreferenciamento da política europeia em 2012 deverá mostrar uma enorme mancha azul, desde a Alemanha, a França, a Itália e o Reino Unido, chegando agora à península Ibérica.</p>
<p style="text-align: justify;">O escritor José Saramago fez a figuração do retorno ibérico à Europa desde as Américas, onde a &#8220;jangada&#8221; aportou no final do século 15. Esta &#8220;jangada de pedra&#8221;, com a democratização dos anos 1970, voltou a colar no continente. Agora, ela aporta politicamente na Europa pós-crise.</p>
<p style="text-align: justify;">Portugal e Espanha têm um sistema parlamentar de poder binário. No caso da Espanha, de forma mais pronunciada: PSOE e PP têm em torno de 90% dos 350 deputados.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Portugal, o PS e o PSD têm um pouco menos, em torno de 85% dos 230 deputados.</p>
<p style="text-align: justify;">Na eleição de 2009, tal soma caiu para 77%, com o PS perdendo 20% de seus deputados e tendo que coligar-se para formar o gabinete ministerial.</p>
<p style="text-align: justify;">A vitória do PS em 2009 só ocorreu devido a uma escolha equivocada do PSD: a sua candidata a primeira-ministra.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia, a performance numa campanha sempre agrega ou desagrega algo. Se a eleição for equilibrada, isso passa a ser decisivo.</p>
<p style="text-align: justify;">A crise obrigou o primeiro-ministro português a entregar o cargo ao presidente e este a antecipar as eleições parlamentares para 5 de junho. Portugal receberá, via UE, 40% de seu PIB em empréstimos, para enfrentar a crise.</p>
<p style="text-align: justify;">Na Espanha, em meio à crise, numa última tentativa do PSOE, o primeiro-ministro anunciou que retira seu nome da eleição de 2012 e que não continuará como tal.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas últimas semanas, um movimento multitudinário via redes sociais, de jovens espanhóis, ocupou a praça central de dez grandes cidades do país, a começar por Madri. O foco dos protestos é a contrapolítica, a rejeição aos políticos, jovens antes de esquerda.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo sendo a eleição em Portugal de resultado mais estreito, o fato é que, politicamente, a &#8220;jangada de pedra&#8221; -agora de cor azul- colou na política europeia pós-crise.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Folha de São Paulo, 28.05.11</em></p>
</div>
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		<title>Comissão da Verdade</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/comissao-da-verdade/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 00:37:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo 14/4/11 O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário &#8220;Para que &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/comissao-da-verdade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Folha de São Paulo 14/4/11</em><br />
O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário &#8220;Para que Não se Repita&#8221;, dividido em 12 blocos, com seis horas de duração.</p>
<p style="text-align: justify;">O escopo do informe e o período que cobre foram amplos: &#8220;Esclarecer as violações contra os direitos humanos cometidas pelo Estado e por grupos terroristas entre maio de 1980 e novembro de 2000&#8243;. Cada &#8220;comissão&#8221; criada na América Latina tem um escopo e um período de análise diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório mostra a complexidade de uma comissão desse tipo. Foram 69 mil vítimas no período: 90% de mortos e 10% de desaparecidos.</p>
<p style="text-align: justify;">O informe destaca o Sendero Luminoso/Partido Comunista Peruano, apresentando-o como um grupo terrorista. Também trata das causas históricas da violência no Peru, a discriminação de índios e negros e as diferenças sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Após sublinhar as características democráticas dos ex-presidentes Fernando Belaúnde e Alan García, relata ações repressivas do Exército e da polícia tidas como terroristas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Ayacucho, base do Sendero onde lecionava seu líder, Abimael Guzmán ou &#8220;presidente Gonzalo&#8221; (preso desde 1992), concentrou-se a violência, passando depois a Lima.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo de Alberto Fujimori, que liquidou o Sendero, tem seus méritos minimizados e, nesse caso, associa-se a ele a repressão e o terrorismo da polícia e do Exército.</p>
<p style="text-align: justify;">Destaca-se ainda o papel das milícias locais (rondas), armadas pelo próprio Exército e atuando em cada região com independência. Mesmo informando casos de terror praticados pelos &#8220;ronderos&#8221;, o relatório tenta realçá-los como autodefesas das comunidades, e que teriam tido papel básico.</p>
<p style="text-align: justify;">Para concluir, o informe condena a passividade da Justiça e do Ministério Público, que deveriam ter tido papéis ativos, mas seriam responsáveis, por omissão, por crimes contra os direitos humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">O documento &#8220;esquece&#8221; o MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru), ostensivamente financiado pelo tráfico de drogas e responsável pelo sequestro múltiplo na Embaixada do Japão, desintegrado pela inteligência policial em operação cinematográfica e ao vivo, no período Fujimori.</p>
<p style="text-align: justify;">De tudo o que mostra o relatório/documentário, o mais importante é o risco do trabalho de comissão similar passar a cumprir um papel político, ter uma abrangência sem limites e igualar ou encobrir excessos de forças heterogêneas.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma comissão de tal tipo pode terminar servindo para atirar em qualquer direção e, assim, incorporar riscos de excitar e deformar a memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, nunca poderá ser governamental nem ter cor ideológica. Deve ter foco específico e detalhado em um período.</p>
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		<title>&#8220;Bolha&#8221; latino-americana</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/bolha-latino-americana/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 18:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície. Nas últimas duas semanas, o FMI, &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/bolha-latino-americana/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>A teoria da catástrofe, de René Thom, aplicada à política, diz que descontinuidades que se passam por surpreendentes são, na verdade, explicadas como uma corrente submarina, não percebida por quem só vê a superfície.</p>
<p>Nas últimas duas semanas, o FMI, em relatório sobre a América Latina, e a revista &#8220;The Economist&#8221; apontaram no mesmo sentido: forma-se uma &#8220;bolha&#8221; na região capaz de estourar em alguns meses.</p>
<p>O Brasil é citado como um dos casos mais delicados.</p>
<p>Lembram que não se pode tratar, simultaneamente, de controlar a inflação e desvalorizar o cambio. A presidenta Dilma Rousseff disse que está dando uma &#8220;guerra contra a inflação&#8221;, expressão que denota insegurança -e mais coisas não ditas.</p>
<p><img title="More..." src="http://www.blogdemocrata.org.br/wp-includes/js/tinymce/plugins/wordpress/img/trans.gif" alt="" /></p>
<p>A crise de 2008-09, ao contrário da de 1997-98, não tirou capitais dos países emergentes. Ao contrário: com taxas generosas de juros e estando fora do epicentro dos países desenvolvidos, continuaram a atrair capitais, produzindo uma valorização quase generalizada do câmbio.</p>
<p>Hoje, para cada 10% de crescimento da China, o impacto na América Latina, via commodities, é de uns 4%. Viramos uma periferia da China.</p>
<p>Mas as autoridades chinesas falam em reduzir esse ritmo.</p>
<p>Sendo assim, o impacto continental seria significativo.</p>
<p>E a isso se agrega a crise europeia e a necessidade dos EUA enfrentarem seu deficit fiscal.</p>
<p>O paraíso das commodities não será o mesmo. Em mais um tempo, garantem, a taxa de juros nos EUA vai ter que subir, atraindo capitais que migraram para os emergentes.</p>
<p>As razões da &#8220;bolha&#8221; brasileira estar crescendo na frente das demais (com exceção da Argentina) estão nos próprios dados oficiais divulgados, com parcimônia, para não assustar os investidores.</p>
<p>A inflação já sinaliza para mais de 7%. O PIB, neste ano, deve crescer 3,5%. A expansão do crédito embute uma inadimplência potencial crescente. O deficit em conta-corrente vai para US$ 60 bilhões.</p>
<p>A balança comercial da indústria foi de um superavit de US$ 18 bilhões para um deficit de US$ 22 bilhões em cinco anos. O deficit comercial nos derivados do petróleo (um país autossuficiente!) passou de US$ 3 bilhões para US$ 18 bilhões em dez anos.</p>
<p>Como dizia Simonsen, &#8220;a inflação fere, mas o balanço de pagamentos mata&#8221;. Ao que tudo indica, o terremoto de 2008-09 entrou com grau 8 nas economias desenvolvidas e vai chegando nas emergentes com graus um pouco menores. E, no Brasil, com mais um efeito: o político.</p>
<p>O &#8220;desconforto&#8221; de 2011 vai levar a base da sociedade a fazer comparações. Injustas, mas que vão afetar a popularidade da presidenta até o final do ano. E não se pode afrouxar em 2011 para 2012, pois a eleição que importa para ela e para eles será em 2014</p>
</div>
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		</item>
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		<title>Fusão ou confusão?</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/fusao-ou-confusao/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 17:37:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 30/04/2011 Quando dois sistemas se integram, tal fusão pode ser sinérgica (maior que a soma das partes), neutra ou disfuncional (menor que a soma das partes). A fusão de dois partidos políticos só é um processo &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/05/fusao-ou-confusao/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 30/04/2011</em></p>
<p>Quando dois sistemas se integram, tal fusão pode ser sinérgica (maior que a soma das partes), neutra ou disfuncional (menor que a soma das partes). A fusão de dois partidos políticos só é um processo simples quando o tamanho de um deles é insignificante perto do outro. A isto melhor seria chamar de assimilação.</p>
<p>Mas quando dois partidos se equivalem, a fusão é um processo complexo, ainda mais num país continental. No Brasil, alguns partidos substantivos surgiram por processos de desagregação, como o Republicano (no Império), o PSDB (saído do PMDB) e o DEM (saído do PDS).</p>
<p>Este é também um processo simples, porque as partes homogêneas de um partido se separam para formar outra legenda. Não é sem razão que no Brasil, durante o Império ou a República, nunca ocorreu fusões entre partidos políticos substantivos. A complexidade ocorre pelo tectonismo das partes (das placas).</p>
<p>No que se refere às direções nacionais, sempre haverá como compor. Mas quando os espaços de cada dirigente começam a ser definidos, termina a simplicidade. Isso sem falar nas estruturas administrativas de cada um.</p>
<p>Ao se desdobrar isso em níveis estadual e municipal, há muito mais. Além disso, existem as listas de vereadores por município, deputados federais e estaduais por Estado, cuja agregação produzirá riscos maiores ou menores para centenas de parlamentares.</p>
<p>Há ainda os espaços de liderança a serem definidos. E também, em todos os níveis, os órgãos de representação especial, como imprensa, institutos e fundações.</p>
<p>Tal decisão produziria uma redução pela metade das lideranças no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras Municipais, assim como nas estruturas respectivas. E também no uso dos microfones.</p>
<p>A nova legenda, independente da denominação que mantenha, terá que incorporar os programas de ambos. As diferenças desses programas abrirão uma luta ideológica, de saída, no novo partido.</p>
<p>Finalmente, a legislação eleitoral permite, havendo fusão de partidos, que os legisladores (vereadores, deputados, senadores) e os executivos (prefeitos e governadores) que se digam prejudicados mudem de legenda.</p>
<p>Não é preciso analisar no detalhe para saber que alguns deputados federais e vários deputados estaduais e vereadores usarão essa circunstância para mudar de partido, sem os enormes riscos de uma nova legenda. O partido fundido ficará parlamentarmente menor que a junção das partes. Só soma tempo de TV e Fundo Partidário, o que também vai gerar atritos pelo uso.</p>
<p>Isso tudo leva a uma enorme disfunção ou tectonismo. Repetindo: no Brasil -no Império e na República- nunca houve fusão de dois grandes partidos. Haverá a primeira.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Três propostas eleitorais</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/04/tres-propostas-eleitorais/</link>
		<comments>http://www.cesarmaia.com.br/2011/04/tres-propostas-eleitorais/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2011 15:34:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras-Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue o debate, e o impasse, sobre a reforma eleitoral. Seria melhor deter-se sobre o processo eleitoral em si, fazendo uma análise comparada com os demais países. Três questões se destacam. A primeira questão é sobre o debate na televisão. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/04/tres-propostas-eleitorais/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>	Segue o debate, e o impasse, sobre a reforma eleitoral.<br />
Seria melhor deter-se sobre o processo eleitoral em si, fazendo uma análise comparada com os demais países.<br />
Três questões se destacam.</p>
<p>A primeira questão é sobre o debate na televisão. Em nenhum país, e em especial nas democracias maduras, o debate pode ser feito na semana da eleição -menos ainda na antevéspera.</p>
<p>Nos EUA e na Europa, o último debate ocorre duas semanas antes. Vários estudos nos EUA mostram que o impacto da coreografia dos debates na TV se dilui em até quatro dias.</p>
<p>O debate deve aprofundar as questões políticas, e não se propor a pegadinhas, a gracinhas e a agressões, ou a dar vantagens aos televisivos.</p>
<p>Com um prazo maior, efeitos desse tipo se diluem e o eleitor volta a decidir sobre as questões da campanha.</p>
<p>A segunda é sobre as pesquisas. Alguns países exigem currículo dos institutos, evitando que criações pré-eleitorais divulguem seus resultados. A grande imprensa faz sua seleção, mas não é geral. E publicidade paga não se nega.</p>
<p>Outro aspecto é o prazo limite de publicação de pesquisas. Alguns países exageram estabelecendo limites amplos.</p>
<p>Mas -por outro lado- a divulgação na véspera e no dia da eleição, é um exagero, sempre reforçado pelas manchetes.</p>
<p>A terceira questão é a mais grave de todas. A compra de votos, a cada ano, se torna mais escandalosa no Brasil. É feita por meio de um eufemismo: &#8220;cabos eleitorais&#8221;.</p>
<p>Milhares são contratados por 90 dias, depois por mais 60 dias, por mais 30 dias e finalmente exponenciados nos últimos três dias.</p>
<p>A legislação, ingenuamente, proíbe a boca de urna, mas permite as bandeiras e outras alegorias até no domingo.<br />
Em 2010, levantamentos em diversos locais do Rio confirmaram que os pagamentos são feitos de forma ascendente, desde três meses antes, até os últimos três dias, quando valem 20% do salário mínimo ou mais. E que 90% dos &#8220;cabos eleitorais&#8221; vão votar no candidato que os contrata.</p>
<p>Um candidato a deputado bem patrocinado, põe nos últimos três dias 40 mil &#8220;cabos eleitorais&#8221; pelo Estado. Estima-se que o gasto oculto com &#8220;cabos eleitorais&#8221; seja maior que todos os gastos de campanha declarados, dos majoritários e dos proporcionais.</p>
<p>Em vários países, aplica-se a lei do silencio a partir da sexta-feira anterior à eleição, no domingo. Isso vale para todo tipo de manifestação, sejam panfletos, colinhas, bandeiras ou carros de som.</p>
<p>Esses três dias são chamados de dias de reflexão, para que o eleitor, depois de ter recebido todas as informações e impulsos na campanha, possa tomar a sua decisão sem pressões e sem dinheiro. Corrigir essas três questões vale uma reforma eleitoral. E é questão apenas de vontade.</p>
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		<title>Presidentes, PIB e política</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Mar 2011 23:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 12/3/2011 A divulgação, por Reinaldo Gonçalves, das taxas de crescimento do PIB por período presidencial provoca a análise. O crescimento econômico atribuído a JK é na verdade um longo ciclo no pós-Guerra. Na segunda metade dos &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/03/presidentes-pib-e-politica/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 12/3/2011</em><br />
A divulgação, por Reinaldo Gonçalves, das taxas de crescimento do PIB por período presidencial provoca a análise. O crescimento econômico atribuído a JK é na verdade um longo ciclo no pós-Guerra. Na segunda metade dos anos 1940, com Dutra, a economia cresceu 7,6%, em média.</p>
<p>Na primeira metade dos anos 1950, com Vargas e até a posse de JK, cresceu 6,7%, em média. Com JK, o crescimento médio foi de 8,1%.</p>
<p>No primeiro ano do governo Jânio Quadros (renunciou em agosto de 1961), cresceu 8,6%.<span id="more-3732"></span></p>
<p>Portanto, em 16 anos do pós-Guerra, a economia brasileira cresceu, em média, 7,5% ao ano, com pouca variação entre os governos.</p>
<p>Nos períodos de turbulência política, a taxa de crescimento fica muito abaixo. Com Floriano Peixoto (Revolta da Armada), a taxa média de três anos de governo acusou decréscimo de 7,5%. No período Collor, também de três anos, outro decréscimo (-1,3%).</p>
<p>Foram os dois únicos períodos governamentais na República com queda do PIB. Inclua-se como períodos de turbulência os governos Arthur Bernardes (estado de sítio) e João Goulart (até o golpe de 1964), com média de 3,7% e 3,6%, respectivamente.</p>
<p>No período Hermes da Fonseca (revolta dos marinheiros, dos fuzileiros navais, estado de sítio e intervenção em Estados do Nordeste), a taxa média foi de 3,5%. No período de Wenceslau Braz, durante a Primeira Guerra Mundial, a média de crescimento foi de 2,1%. Ao contrário da Segunda Guerra, que impulsionou as exportações, na Primeira Guerra, com o bloqueio continental, o efeito foi contrário.</p>
<p>Os períodos governamentais de ajuste econômico também produziram redução da taxa de crescimento do PIB.</p>
<p>Em primeiro lugar, Campos Salles, que realizou duras medidas exigidas pelo Encilhamento no início da República. A economia cresceu, em média, 3,1%. De certa forma se pode incluir o período FHC como de ajustes econômicos, pelas reformas adotadas e pelas respostas às crises asiática e russa. O crescimento médio foi de 2,3%. No núcleo das crises de 1998-99, foi de 0,4%.</p>
<p>O ajuste econômico durante o governo Castello Branco foi rápido, compensado pela expectativa favorável do empresariado, pelo apoio internacional e pelas medidas que aliviaram as cargas tributária e trabalhista e alinharam preços. Só no ano do ajuste de 1965 houve menor crescimento. No período, a taxa média foi de 4,6%.</p>
<p>O período Figueiredo terminou sendo o desaguadouro da crise do petróleo e da transição política, e a taxa média de crescimento foi de 2,4%. O primeiro governo Lula exigiu ajustes, e a taxa média foi de 3,5%. E no segundo, incluindo o ano de crise de 2009, o crescimento teve a mesma média do período republicano: 4,5%.</p>
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		<title>Ópera popular</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 21:54:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras-Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Seria difícil imaginar um auditório com 60 mil pessoas assistindo a uma ópera, mesmo num palco a céu aberto. Mas não numa ópera popular. Nesta, o palco é móvel e múltiplo. Os atos são móveis e múltiplos. Cada ato desliza com seu &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/03/opera-popular/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Seria difícil imaginar um auditório com 60 mil pessoas assistindo a uma ópera, mesmo num palco a céu aberto. Mas não numa ópera popular. Nesta, o palco é móvel e múltiplo. Os atos são móveis e múltiplos. Cada ato desliza com seu cenário e seus figurantes nesse palco móvel. O libreto conta o enredo que é cantado por um coro de milhares de vozes junto aos tenores populares, em carro próprio de som. Assim é o desfile das escolas de samba: uma ópera popular.</p>
<p>Mas esse foi um processo de mais de 30 anos, desde as rodas de samba dos anos 1920 e 1930. As escolas de samba ganharam identidade, passaram a ter nome e se diferenciaram umas das outras com cores e bandeiras próprias. No início dos anos 1930, passaram a se apresentar no Carnaval, desfilando. O prefeito Pedro Ernesto deu cidadania a elas e, em 1935, oficializou o desfile. Adotou o nome de escolas de samba, para dar cobertura legal aos subsídios. Não havia carros nem enredo. As fantasias eram improvisadas. Desde a origem dos desfiles, a bandeira era protegida pela porta-estandarte e pelo mestre-sala.</p>
<p>O Carnaval, diversificado com corsos, carros, blocos, foliões, grupos de samba, frevo etc., cada um de forma autônoma, foi sendo assimilado pelas escolas de samba. Os desfiles passaram a escolher histórias e os sambas a contar este enredo. A incorporação dos carros alegóricos se deu de forma progressiva: muito pequenos em 1960, quase como uma marca, os carros alegóricos, como cenografia das alas com figurantes em cima, só vieram depois. A atração de cenógrafos, coreógrafos e figurinistas deu ao desfile outro glamour. A partir daí, o desfile vai entrando numa espiral de transformação com enredo, ordenamento de suas alas, fantasias, alegorias, coreografia, samba, bateria, transformando-se em uma ópera popular.</p>
<p>O desfile passa a ter todos os elementos da ópera, de uma ópera popular e única. O libreto, a orquestra com seus naipes, o maestro, os atos com suas alas, coreografias e cenografias próprias, os cantores, o coro.</p>
<p>Imagine-se numa arquibancada e fixe-se num cone de visão. Os atos passam na frente do público, com suas alas, carros alegóricos, fantasias e coreografias. A bateria se fixa num ponto e sua música vai para todo o desfile. Um coro geral cantando o samba-enredo, dois tenores populares puxando o samba. Toda a apresentação é articulada. Todo o público assiste à mesma ópera esteja onde estiver, pois os palcos são móveis e correm paralelamente ao público. Em cada ponto de visão o palco é fixo. Um espetáculo único no mundo.</p>
<p><em>Folha de São Paulo, 5/3/11</em></p>
</div>
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		<title>Herança perversa</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 20:04:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Folha de São Paulo As primeiras medidas do governo Dilma em relação aos cortes nos gastos públicos, ao câmbio, aos juros e à política externa são apresentadas como herança recebida do governo Lula. São vistas como produto das distorções &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/heranca-perversa/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fonte: Folha de São Paulo</em></p>
<p>As primeiras medidas do governo Dilma em relação aos cortes nos gastos públicos, ao câmbio, aos juros e à política externa são apresentadas como herança recebida do governo Lula. São vistas como produto das distorções eleitorais relativas aos anos de 2009 e 2010. Por isso, sua abordagem cria no governo um certo constrangimento.</p>
<p>Mas nada disso é problema. Ao contrário. Dilma aparece como mais centrada, mais racional e mais dedicada às questões administrativas, o que a eleva ao andar de cima do meio acadêmico, empresarial, jornalístico e político.</p>
<p>Com todos os desdobramentos relativos a essa herança, ela certamente não é o problema que Dilma e seu governo terão de enfrentar.</p>
<p>Todas as pesquisas nos últimos anos, em relação às funções do governo, mostraram uma avaliação mais próxima do regular. Mas as mesmas pesquisas mostraram uma avaliação ótima de Lula.</p>
<p>É como se o personagem que criou, inserido nas massas e confundido com elas, nada tivesse a ver com seu governo.</p>
<p>Até o fato de a crise financeira de 2008/2009 não ter chegado aos países emergentes como chegou aos desenvolvidos foi percebido como efeito Lula.</p>
<p>Seus atos são sempre confundidos com seu populismo retórico. As inaugurações de pedras fundamentais eram percebidas como realizações, e a &#8220;caravana holiday&#8221; de seus comícios inaugurava nada, mas que -em outras partes do país, via satélite- era percebido como tudo.</p>
<p>Com o mensalão de 2005, Lula abandonou o uniforme de líder operário urbano e incorporou o jeito de líder retirante num populismo protorreligioso que tão bem se conhece Brasil afora, desde a segunda metade do século 19.</p>
<p>Essa condição é que é a herança perversa. Nem Dilma nem nenhum outro nome cogitado no processo pré-eleitoral desde 2008 teria condições de parecer-se com o personagem criado e mitificado por Lula.</p>
<p>Todos sabem que o ano de 2011 será um ano de desconforto social, com a economia crescendo metade da de 2010, com inflação acima da meta, especialmente nos alimentos, e os juros mais altos. Há ainda a economia europeia desacelerada, a crise nos países árabes e seus reflexos etc e tal.</p>
<p>Esse desconforto social se acentuará com a menor capacidade de compensação pelos Estados e municípios, maior desemprego, alguma reversão de expectativas e muito maior assanhamento dos políticos da base aliada e da oposição.</p>
<p>E o imaginário popular, tão acostumado ao estilo anterior, vai suspirar nas esquinas: &#8220;Ah, com Lula isso não estaria acontecendo&#8221;. Nesse momento, a popularidade de Dilma despencará. E Lula correrá em seu auxílio, piorando a situação. Como disse Bertolt Brecht: &#8220;Infeliz a nação que precisa de heróis&#8221;</p>
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		<title>Os cortesãos</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 20:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte Folha de São Paulo A disputa de cargos, em todos os níveis, e de benesses governamentais, entre os partidos que apoiam o governo federal, remete ao sistema de cortes das monarquias nos séculos 16 e 17. As cortes palacianas &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/os-cortesaos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>Fonte Folha de São Paulo<br />
</em>A disputa de cargos, em todos os níveis, e de benesses governamentais, entre os partidos que apoiam o governo federal, remete ao sistema de cortes das monarquias nos séculos 16 e 17. As cortes palacianas viviam no entorno dos reis, disputando cargos, concessões e favores.</p>
<p>Os homens fortes das cortes eram aqueles que, por proximidade com reis e rainhas, conseguiam para seus apaniguados decisões que lhes davam poder e riqueza. As cortes dos vice-reis na América hispânica aprofundaram o sistema. As &#8220;encomiendas&#8221;, por exemplo, eram concessões de caráter feudal com cessão de terras e seus índios, para o uso econômico e deleite dos &#8220;encomenderos&#8221;. Outro exemplo era o &#8220;corregimiento&#8221;, uma região onde o &#8220;corregidor&#8221; tinha todos os poderes e onde esse poder até se comprava.</p>
<p>Os vice-reis da Espanha no Peru e no México (Nova Espanha), nos séculos 16 e 17, com status de &#8220;alter ego&#8221; do rei, punham e dispunham sobre tais concessões. Em torno deles, construíram-se amplas cortes que se dividiam em funções administrativas e de proximidade com o vice-rei.</p>
<p>Era tão bom, que fazer parte do séquito de um vice-rei nomeado na Espanha tinha preço. A orientação básica da coroa era prestigiar os chamados &#8220;beneméritos&#8221;, ou seja, os que chegaram na frente para conquistar e colonizar.</p>
<p>Mas o que ocorria eram nomeações e concessões ao grupo íntimo do vice-rei ou aos indicados por ele. Os abusos chegaram a tal ponto que, em 1619, o rei Felipe 3º regulamentou a ocupação de cargos, proibindo empregar e fazer concessões a parentes até o quarto grau.</p>
<p>Em 1660, Felipe 4º repetiu a mesma resolução, pois as cortes no Peru e na Nova Espanha não haviam dado a menor bola para a determinação.</p>
<p>A solução no século 18 foi tirar poder dos vice-reis e transformá-los em burocratas do Estado espanhol.</p>
<p>O que vemos por aqui é uma adaptação disso. Um partido tem direito de nomear em órgãos que passam a ser suas &#8220;encomiendas&#8221;. O quoteo de ministérios, órgãos e empresas estatais são como &#8220;corregimientos&#8221;. O líder de bancada de prestigio é aquele que, por proximidade com o poder ou por intimidação, abre amplos espaços para os seus protegidos. Mesmo que indiretamente, isso tudo tem um preço.</p>
<p>Não tão abertamente como as vagas no séquito dos vice-reis, mas de forma mais intensa e rentável. Como nas cortes, vai se criando um hábito.</p>
<p>E só se lembra do método quando os desvios são publicados. Os servidores profissionais independentes vão ficando de lado, como ocorreu aos &#8220;beneméritos&#8221;. E -da mesma forma que os Felipes 3º e 4º- não será por falta de leis, decretos e resoluções. Enquanto isso o Estado vai ficando caro, improdutivo, ineficiente, e algumas vezes, corrupto.</p>
</div>
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		<title>Folha de coca</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/folha-de-coca/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Feb 2011 14:10:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A publicidade do governo boliviano diz que &#8220;folha de coca não é droga&#8221;. E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial. Bartolomé &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/02/folha-de-coca/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A publicidade do governo boliviano diz que &#8220;folha de coca não é droga&#8221;. E que droga é sua transformação química em cocaína. O uso da folha de coca vem de longe. Nem sempre seu uso foi considerado assim, trivial.<br />
Bartolomé Arzáns em seu &#8220;Relatos de la Villa Imperial de Potosí&#8221; (Plural Editores, Bolívia), escrito no início do século 18, num capítulo, destaca a folha de coca e seus efeitos, (&#8220;1674 &#8211; Da erva chamada coca&#8221;, pág. 353).</p>
<p>Potosí pertencia ao vice-reino do Peru. Sua montanha de prata financiou a Europa por uns cem anos. Arzáns fala do &#8220;enorme mal que afeta o Peru: possuir a erva chamada coca, que usam os ministros do diabo para seus vícios&#8221;.</p>
<p>Cita Pedro Cieza, que dizia (&#8220;Crônica del Peru&#8221;) que, em todo lado que ia, via os índios se deleitarem em trazer nas bocas a erva de coca, em pequenos bolos de onde sacam uma certa mistura. &#8220;Trazem essa coca na boca desde a manhã até dormir&#8221;. Cieza perguntou aos índios qual a razão e eles disseram que, com isso, &#8220;não sentem fome e ganham grande força e vigor&#8221;.</p>
<p>Arzáns diz que a coca no Peru é &#8220;apreciada&#8221; pelo menos desde 1548 e &#8220;hoje&#8221; em Cuzco, La Paz e La Plata. E que na Espanha se enriquece vendendo coca. Por acabar com a fome e dar grande força e vigor, nenhum índio entra em uma mina ou faz obras &#8220;sem levá-la na boca, mesmo que reduza a sua vida&#8221;. Índio não podia entrar em mina sem estar mascando folha de coca.</p>
<p>Arzáns diz que experimentou e sua língua ficou &#8220;gorda, áspera e abrasada&#8221;. Essa erva tira o sono dos índios, segue Arzáns, e com ela não sentem frio, fome ou sede. Os índios não podem trabalhar sem ela.<br />
&#8220;Moída e em água fervendo, abre os poros, esquenta o corpo e abrevia o parto&#8221;. Mas seu uso vira vício e o &#8220;demônio, que é o inventor dos vícios, faz notável colheita de almas&#8221;.</p>
<p>A coca é usada pelas feiticeiras. &#8220;Os que se viciam se perdem e vivem de esmolas para manter esse infernal vício, que lhes priva do juízo, como bêbados, e lhes dá terríveis visões&#8221;. Usá-la dá excomunhão. A famosa feiticeira Claudia a aplica e faz um homem deitar com uma velha pensando que é uma jovem, conta Arzáns. E que um espanhol rico foi morar com Claudia e comeu tortas pensando que eram as de sua terra.</p>
<p>Um músico convidado para uma casa viu que serviam coca em bandeja de prata e para, não falar sobre os viciados que vira, esses lhe suplicaram que a usasse. O músico saiu à 19h, vagando, e só chegou em casa à meia-noite. E segue contando Arzáns: &#8220;Um enfermo, ao beber a erva com licor, ficou bom. Mas morreu um ano depois. Uma mulher pediu a criada que lhe desse coca. Com a negativa, ela levantou-se furiosa e meteu um punhado da erva na boca e, dizendo disparates, caiu morta&#8221;. Nem tão trivial assim.</p>
<p><em>Folha de São Paulo: 5/2/11</em></p>
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		<title>“O DEM não se juntará ao PMDB”</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jan 2011 21:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevista a Daniel Haidar. Valor Econômico, 24/1/11 <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/%e2%80%9co-dem-nao-se-juntara-ao-pmdb%e2%80%9d/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O polêmico ex-prefeito rejeita fusão de legendas e garante que a oposição vai se fortalecer ao longo do ano.</strong></p>
<p>O ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia (DEM) dá como certa a vitória do candidato à presidência dos Democratas José Agripino Maia na convenção do partido do dia 15 de março para sacramentar o novo líder do legenda.</p>
<p>Pai de Rodrigo, atual presidente do DEM, e primo de Agripino, Cesar é um dos opositores à candidatura de Marco Maciel, apoiada pela ala de Jorge e Paulo Bornhausen.</p>
<p>Aos 65 anos, Maia vive uma invernada do poder desde que deixou a prefeitura em 2008. Ficou em quarto lugar na disputa ao Senado pelo Rio, com 1,6 milhão de votos (11%) no estado e 834 mil na capital fluminense (14,5% dos votos válidos na cidade).</p>
<p>Ele está de olho em uma das 37 vagas que o Brasil deverá ter no Parlamento do Mercosul (Parlasul) e descarta concorrer em 2012 à Prefeitura do Rio. &#8220;Acho que não vale a pena.&#8221;</p>
<p><strong>Como apaziguar os atritos para decidir a presidência do DEM?</strong></p>
<p>Está se disputando uma coisa que tem valor. Se não tivesse, faríamos uma convenção, alteraríamos uma cláusula do programa e sairia quem quer. Uma das razões desse valor é que o DEM está sendo muito procurado para ver de que maneira se pode aderir para ser candidato a prefeito.</p>
<p><strong>O senhor apoia José Agripino para presidente do partido?</strong></p>
<p>Não apoio ninguém. Nunca participei de disputa partidária. É uma perda de tempo. Estive com Zé Agripino no dia 31 de dezembro e ele disse ter certeza que vai unificar o partido. Fizeram convite ao Marco Maciel para ser candidato a presidente, mas ele é um santo, não pode entrar em disputa, é imortal da Academia Brasileira de Letras. Teria que ser ungido e montar um grupo de vice-presidentes para tocar a máquina partidária.</p>
<p><strong>Então qual a chance de a ala que se opõe a Agripino vencer?</strong></p>
<p>A única coisa que gerou disputa dentro do DEM é que se falou que há um grupo (que eu não acredito), liderado pelo prefeito Gilberto Kassab, cujo projeto era assumir a direção do DEM para promover fusão com o PMDB. Mas grande maioria do partido não quer fusão com ninguém. Se é verdade, essa tese se tornou perdedora no DEM.</p>
<p><strong>Qual deve ser o foco da atuação política do DEM neste ano?</strong></p>
<p>A curva da economia e da política ao longo de 2011 é declinante para o governo. Portanto, se desenha uma situação em que a oposição tem que entrar e agir.</p>
<p><strong>O senhor será candidato a prefeito em 2012?</strong></p>
<p>Quero ser deputado do Parlamento do Mercosul [com eleição prevista para 2012 ou 2014]. Estou esperando apenas que o Congresso aprove as regras, parece que vai ser voto em lista. Conheço a América Latina bem, seria natural caminhar nessa direção. Não existirão condições para que eu possa ser candidato a prefeito. Não posso ser candidato com 20% dos votos, que é o que eu tenho na cidade do Rio. Acho que não vale a pena disputar a prefeitura.</p>
<p><strong>Então quem seria o candidato do partido para prefeito?</strong></p>
<p>Há quatro vetores competitivos no Rio. O primeiro são os evangélicos. Existe uma esquerda light, que mais uma vez terá um candidato que vai ganhar na Zona Sul. Tem o PMDB, uma candidatura da máquina. E tem a gente, e espero que venha o PSDB junto. Nosso grupo tem três nomes competitivos: Otávio Leite (PSDB), Rodrigo Maia e Índio da Costa. Independentemente de quem for o candidato, posso contribuir com a base eleitoral que tenho.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A corte dos anjos</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/a-corte-dos-anjos/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Jan 2011 20:12:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo &#8211; 22/01/2011 &#8220;Governar é fazer crer&#8221;, dizia Maquiavel. As lideranças míticas, sejam políticas, sociais ou religiosas, se afirmam por dois caminhos distintos. De um lado, os líderes cuja autoridade se afirma como guias de seus povos. &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/a-corte-dos-anjos/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo &#8211; 22/01/2011 </em><br />
&#8220;Governar é fazer crer&#8221;, dizia Maquiavel. As lideranças míticas, sejam políticas, sociais ou religiosas, se afirmam por dois caminhos distintos.</p>
<p>De um lado, os líderes cuja autoridade se afirma como guias de seus povos. São os detentores da legitimidade pelas ideias que conduzirão seus povos ao paraíso. Perón e Vargas são exemplos.</p>
<p>Outras lideranças legitimam a sua autoridade pela ausência. Representam divindades. O que os legitima está ausente deles, está em outro plano. padre Cícero, no Ceará, e Santa Dica, em Goiás, são exemplos. Maria de Araújo, beata de padre Cícero, em transe, ao meio de milagres, conversava com os anjos.</p>
<p>Santa Dica, em transe, ia até a &#8220;corte dos anjos&#8221; e voltava com as orientações a serem seguidas. Padre Cícero elegia e elegeu-se. Santa Dica elegeu seu companheiro. O monopólio da legitimação pela ausência trouxe e traz conflitos interreligiosos.</p>
<p>A autoridade legitimada pela ausência não é restrita à esfera religiosa. Líderes políticos, em diversas épocas, ao se incluir no universo dos deuses, assim se legitimavam.</p>
<p>Ramsés 2º, Júlio Cesar e Hirohito são exemplos. Em outros, a própria nação é uma divindade. Agitam com símbolos milenares, cenografia e coreografia relativas. Representam essa divindade-nação ausente. Hitler (a raça germânica superior) é um caso.</p>
<p>Outras vezes, essa divindade é um autor cujas ideias são estruturadas como dogmas. A legitimação pela ausência se refere a eles e a suas ideias. O líder é quem representa essas ideias da forma mais autêntica. Marx foi usado assim. Depois vieram as suplementações de legitimação derivada: leninismo, stalinismo&#8230;</p>
<p>Outro tipo de legitimação da autoridade se dá pela contra-ausência. Ou seja uma ausência que coloca em risco o país e exige a delegação de todos ao líder. O &#8220;perigo vermelho&#8221; foi usado assim, legitimando líderes e ditadores. &#8220;O imperialismo ianque&#8221;, idem.</p>
<p>Mas há um tipo de liderança mítica que se parece com a do tipo guia dos povos. Apenas se parece. Na verdade, legitima-se também pela ausência. O povo, em abstrato, passa a ser uma divindade. Um povo amalgamado que incorpora todos os valores de fé, justiça e de esperança. E de dentro desse amálgama surge o líder, que é ele, o próprio povo, encarnado em sua pessoa, como redentor. As lideranças míticas são desintegráveis pelo fracasso, pela desmistificação (falsos profetas), pela força ou por outros tipos de líderes míticos. Num regime democrático, a força se exclui. Quando a alternância acontece em uma conjuntura de sucesso, a desmistificação não é tarefa simples. Nessas condições, um líder racional alternativo precisaria de alguma dose de legitimação de sua autoridade pela ausência.</p>
<p>Quaisquer delas.</p>
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		<title>Entrevista: Cesar Maia fala sobre as disputas no DEM</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 17:27:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades e Publicações]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-Blog entrevista Cesar Maia: EB- Como vê as disputas internas no DEM? CM- Se há disputa, e se ela é tão intensa como aparece na imprensa, é porque a importância do DEM continua grande. Ninguém disputaria assim sem achar que &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/entrevista-cesar-maia-fala-sobre-as-disputas-no-dem/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ex-Blog entrevista Cesar Maia:</p>
<p>EB- Como vê as disputas internas no DEM? </p>
<p>CM- Se há disputa, e se ela é tão intensa como aparece na imprensa, é porque a importância do DEM continua grande. Ninguém disputaria assim sem achar que vale a pena. São 43 deputados federais, 6 senadores, 500 prefeitos, milhares de vereadores e deputados estaduais. </p>
<p>EB- Fala-se que, se um lado vencer, haveria a fusão com o PMDB. </p>
<p>CM- A executiva do DEM, por unanimidade, em dezembro, decidiu que não haverá nenhuma fusão.</p>
<p>EB- Mas é o que se divulga. </p>
<p>CM- Se for fato, os que estão contra qualquer fusão se somariam e passariam a ser quase a totalidade do DEM. Por isso, não acredito em fusão. </p>
<p>EB- Mas o prefeito Kassab tem mostrado seu incômodo. </p>
<p>CM- Nesse sentido acho que ele tem toda a razão, pois a política em SP tem sido binária entre PSDB e PT. O PMDB elegeu apenas um deputado federal; seu presidente faleceu e se abriu um vácuo. Com estes elementos, é natural que um prefeito bem sucedido como Kassab desenvolva suas estratégias com vistas a 2012 e 2014. Mas isso não produz nenhuma divergência no DEM. Fortalecer o prefeito é interesse de todos.</p>
<p>EB- Falou-se em várias candidaturas a presidente do DEM para a convenção de 15 de março. Como será a disputa? </p>
<p>CM- Pelas últimas informações, o senador José Agripino aceitou a candidatura independente de surgir outro candidato. Essa decisão do senador, e nosso líder no senado, elimina disputas. Ele disse, nesta semana, aos jornais: &#8220;Aceito a disputa como missão para reunificar o partido&#8221;. Ele usou a expressão &#8220;disputa&#8221;. Do meu ponto de vista, essa decisão do senador -desde já-, produz a unidade do DEM. E a convergência das correntes passa a ser um fato. Elimina a &#8220;disputa&#8221;.</p>
<p>EB- Mas a convivência dessas correntes no DEM não será incômoda? </p>
<p>CM- Em todas as convenções do PT suas diversas correntes disputam, adotando até nomes diferentes. E isso é visto por todos como um sintoma de fortalecimento do PT. Por que a mesma coisa não seria um sintoma de fortalecimento do DEM?</p>
<p>EB- Mas em 1 de fevereiro haverá a disputa para a liderança do DEM na Câmara de Deputados. A disputa estaria acirrada. </p>
<p>CM- Independente do favoritismo do deputado ACM Neto, o mais votado do partido no país, e membro atual da mesa diretora, um último fato, carregado de injustiça, em relação ao outro nome que vinha sendo colocado, terminou por antecipar a convergência de nossa bancada em torno de ACM Neto. E em respeito àquele. Pelo menos é o que vejo de longe.</p>
<p>EB- A oposição não ficou muito esvaziada depois da eleição? </p>
<p>CM- Lembro que Brizola dizia que, numa eleição, quem ganha tudo, leva tudo, inclusive os problemas e os conflitos internos que serão inevitáveis. No DEM, temos visto um surpreendente fluxo de contatos de quem pretende ser candidato a prefeito e a vereador pelo Brasil todo. Deputados -da chamada base aliada- dizem que suas lideranças locais estão sendo atropeladas e que, se vier uma &#8220;janela&#8221;, migram para o DEM, já. Imagino que para o PSDB também. E são dezenas.</p>
<p>EB- Alguma conclusão mais? </p>
<p>CM- É um quadro paradoxal, mas comum em política. Vitórias esmagadoras são quase sempre o prelúdio de conflitos intransponíveis. Sempre é bom vencer. Mas de forma avassaladora atrai desintegração interna dos vencedores, ruídos, tremores e terremotos.</p>
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		<title>A oposição política</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Jan 2011 14:31:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[A oposição aos governos se dá de três formas. <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/a-oposicao-politica/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em 08.1.2011 em Folha de São Paulo</em></p>
<p>A oposição aos governos se dá de três formas.</p>
<p>A primeira é a clássica oposição ideológica, em que um partido se opõe ao governo por suas ideias (esquerda-direita, liberalismo-socialismo…). Era a oposição clássica nos séculos 19 e 20. Aponta a sua própria base eleitoral. E tende a afirmar a base ideológica do governo.</p>
<p>A segunda é a função constitucional de fiscalização e legislação. Aqui, a oposição procura destacar os desvios constitucionais, a conduta do governo e as contradições entre o que diz e o que faz e separar propaganda da realidade.</p>
<p>É como uma guerrilha política, parlamentar e judicial, que desgasta progressivamente o governo por seus desvios, afetando a sua imagem.</p>
<p>A terceira forma é a mais importante do ponto de vista político-eleitoral e a mais abrangente, pois amplia a base de apoio da oposição. Depende das circunstâncias, e não da vontade da oposição.</p>
<p>Numa conjuntura de problemas que enfrente o governo (econômica, moral…), a oposição deve estressar os problemas e estender, no tempo, o debate sobre eles. Mas não é a oposição que os cria.</p>
<p>Para isso, deve estar atenta aos problemas no nascedouro e dar oxigênio para a opinião pública e a imprensa.</p>
<p>Os valores, por exemplo, cabem na primeira forma, mas podem surgir na terceira.</p>
<p>A questão do aborto no Brasil em 2010 é um exemplo. Era questão fora do debate. Mas o PNDH-3 reabriu a discussão. A oposição chegou atrasada, e o tema veio de baixo para cima, pelas igrejas.</p>
<p>Transformou-se em “hit” da terceira forma em 2010 e reforçou a identidade conservadora.</p>
<p>Nos EUA, os republicanos em 2009/2010 mostraram maestria ao trabalhar nas três frentes: ideológica, parlamentar e conjuntural, explorando os pontos frágeis de Obama e a economia. A vitória foi tripla.</p>
<p>Exemplo da segunda forma são as sistemáticas invasões de competência do Executivo sobre o Senado, em que a oposição tem se mantido passiva.<br />
As questões temáticas (saúde, segurança, educação…) devem ser tratadas simultaneamente nas três formas. Por exemplo, as políticas públicas relativas à regulamentação da emenda 29 na saúde, os resultados pífios da educação, o aumento da violência.</p>
<p>2011 anima a oposição. Os problemas de gestão política serão inevitáveis num governo montado por cotas. Virão ampliados num ano frágil economicamente, vis a vis a lembrança do mito. Abrem um amplo espaço à oposição.</p>
<p>Se fatos passam a ter cobertura da imprensa em forma de campanha, mais fácil será multiplicar em direção à sociedade e galopar os espaços abertos. E a artilharia deve ser sistemática e diversificada, à moda europeia. Nunca se sabe qual é o “tipping point”.</p>
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		<title>Oposição Deprimida</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Jan 2011 18:21:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 1/1/11 Se há uma rotina na política são as crises de bolso que ocorrem nos partidos que perdem as eleições. Em geral, duram o tempo dos partidos entenderem que exacerbar os conflitos pela perda de uma &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/oposicao-deprimida/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em>Folha de São Paulo, 1/1/11</em></p>
<p>Se há uma rotina na política são as crises de bolso que ocorrem nos partidos que perdem as eleições. Em geral, duram o tempo dos partidos entenderem que exacerbar os conflitos pela perda de uma eleição é perder duas vezes.</p>
<p>Afinal, as circunstâncias criaram um ambiente eleitoral de difícil superação, pelo crescimento reativo da economia após um ano de recessão, o uso e o abuso de recursos gobbellsianos, o descolamento do presidente de seu próprio governo. Para quem gosta de sofrer, vale lembrar que os problemas ocorreram nos anos anteriores às eleições: em 2005 o mensalão e em 2009 a recessão. Se fosse um ano depois, o quadro poderia ter sido diferente. Mas não foi.</p>
<p>É verdade que a oposição cometeu erros, e não foram poucos. Entre eles, ignorar a pré-campanha, não coordenar os Estados, imaginar que uma continuidade do tipo &#8220;o Brasil pode mais&#8221; seria percebida como alternativa, exaltar a condição de &#8220;estadista&#8221; do principal adversário, monotematizar a saúde e, finalmente, entrar nos escândalos na lógica da imprensa.</p>
<p>Mas com uma campanha sem esses erros, o resultado seria o mesmo. Talvez com uma diferença menor e com um sofrimento maior.</p>
<p>E por que a oposição está tão deprimida? Porque supervaloriza a popularidade do presidente e começa a antecipar outra derrota em 2014.</p>
<p>Alguns dizem assim: se o governo eleito for bem, vai ganhar, e, se for mal, volta Lula como salvador. Raciocínio que estimula os mais afoitos a correr para a ampla &#8220;base aliada&#8221;. Aí pelos Estados, há cargos disponíveis à vontade.</p>
<p>A história política mostra que não há nenhuma razão para supervalorizar a popularidade. Não falo de superpopularidade conjuntural, como a de Sarney durante o Plano Cruzado. Ou Jango, líder popular que sucedeu Getúlio e que perdeu a eleição para senador no Rio Grande do Sul um mês e dez dias depois do suicídio que mobilizou o país.</p>
<p>Falo de popularidades estruturais. Clemenceau, chefe de governo francês, líder e mito na Primeira Guerra Mundial, que, um ano depois do encerramento dessa guerra, perdeu a eleição e o governo. E Churchill, chefe de governo na Grã-Bretanha, herói da Segunda Guerra Mundial, a quem o mundo deve tanto. Perdeu a eleição e o governo seis meses depois do fim da guerra.</p>
<p>Mitos na política são solúveis em qualquer prazo. Mais ainda quando a popularidade é construída como essas pirâmides financeiras, por meio de derivativos de sabão.</p>
<p>Mas os solventes devem vir do próprio processo político, aplicados pela oposição. Claro, uma oposição ativa e otimista, que saia rápido do divã e vá às r</p>
</div>
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		<title>Uma mulher presidente</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/uma-mulher-presidente/</link>
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		<pubDate>Wed, 05 Jan 2011 18:08:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo da Folha de São Paulo em 25/12/2010 Em 2010, cumpriram-se os 250 anos do nascimento da primeira mulher presidente no Brasil, Bárbara de Alencar. Ela nasceu em Exu (PE), em 1760. Mudou-se para o Crato (CE) depois do casamento, &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2011/01/uma-mulher-presidente/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Artigo da Folha de São Paulo em 25/12/2010</p>
<p>Em 2010, cumpriram-se os 250 anos do nascimento da primeira mulher presidente no Brasil, Bárbara de Alencar.</p>
<p>Ela nasceu em Exu (PE), em 1760. Mudou-se para o Crato (CE) depois do casamento, em 1782, com José Gonçalves dos Santos, comerciante de tecidos naquela vila, com quem teve quatro filhos.</p>
<p>Foi a primeira mulher a se envolver, para valer, em política no Brasil -durante a revolução pernambucana de 1817, com vistas à independência e à República. O Ceará e outras províncias limítrofes aderiram -no Ceará, especialmente na região do Cariri.<br />
Bárbara de Alencar liderou esse movimento no Crato, ampliando a revolução em Pernambuco. Ela declara a independência e proclama a República do Crato, assumindo a presidência. Com a derrota em Pernambuco, a rebeldia nas demais províncias foi sendo desmontada pelas forças do Conde dos Arcos, governador da Bahia, a mando de dom João 6º.</p>
<p>Bárbara foi presa em Fortaleza. Por quatro anos, foi mantida presa em Fortaleza, Recife e Salvador. Ganha a liberdade no ato de anistia geral de novembro de 1821. Teve quatro filhos, três homens.</p>
<p>Em 1824, outra revolução em Pernambuco: a Confederação do Equador, liderada por Frei Caneca. No âmbito desse movimento, no Ceará, Crato, Icó e Quixeramobim aderiram.<br />
Seus três filhos homens se envolveram. Em 26 de agosto de 1824, foi declarada a República do Ceará e designado presidente Tristão de Alencar, um dos filhos de Bárbara.</p>
<p>A repressão das forças imperiais culminou com a morte de dois de seus filhos: Tristão e Carlos. José Martiniano de Alencar sobreviveu e, mais tarde, terminou se credenciando como deputado às cortes constitucionais de Lisboa.</p>
<p>Foi governador do Ceará e senador. Seu filho José de Alencar foi escritor, poeta e fundador do indianismo com seu &#8220;O Guarani&#8221;.</p>
<p>A força da memória de Bárbara de Alencar ressurgiu em 1869, na escolha de senador em uma lista tríplice. Os conselheiros de dom Pedro 2º sugeriram o veto a José de Alencar, apesar de ele ter sido ministro da Justiça pouco tempo antes. O temor era que as ideias republicanas que começavam a ser reativadas pudessem coincidir com o DNA de José de Alencar.</p>
<p>Neste ano de 2010, em que o Brasil registra e comemora a assunção de uma mulher ao cargo de presidente da República, faltaram as comemorações em memória de Bárbara de Alencar, primeira mulher política brasileira, primeira presidente de República, do Crato, e mãe de outro presidente de República, do Ceará.</p>
<p>E, quem sabe, ancestral de outro cearense Alencar presidente: Humberto. A conferir.</p>
<p>CESAR MAIA escreve aos sábados nesta coluna.</p>
</div>
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		<title>Lula: missão abreviada</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/12/lula-missao-abreviada/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Dec 2010 20:23:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 18/12/10 O que aproxima o padre Ibiapina (1806-1883), o padre Cícero (1844-1934) e Antonio Conselheiro (1830-1897) é o mesmo livro de cabeceira: “Missão Abreviada” (720 págs.), do padre Manuel José Gonçalves Couto. Editado em 1859, foi &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/12/lula-missao-abreviada/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 18/12/10</em></p>
<p>O que aproxima o padre Ibiapina (1806-1883), o padre Cícero (1844-1934) e Antonio Conselheiro (1830-1897) é o mesmo livro de cabeceira: “Missão Abreviada” (720 págs.), do padre Manuel José Gonçalves Couto. Editado em 1859, foi o livro de maior tiragem em Portugal no século 19 (150 mil exemplares).</p>
<p>Padre Ibiapina nasceu em Sobral (CE). Foi magistrado e deputado. Voltou ao seminário e, aos 47, iniciou a vida missionária pelo Nordeste, fazendo igrejas, cemitérios, açudes. Chamado de “mestre”, criou a ordem dos beatos e beatas que o acompanhavam.</p>
<p>Aonde ia, o “mestre” aconselhava e ajudava. Seu mito gerou reação do bispado. Padre Cícero nasceu em Crato (CE) e seguiu a mesma cartilha, com base em Juazeiro do Norte. Os milagres da beata Maria de Araújo (recebia a óstia e esta sangrava) multiplicaram o número de romeiros e de beatos que os seguia.</p>
<p>Distribuía conselhos, bênçãos e esmolas. Apesar da perseguição pelo bispado, as romarias não pararam de crescer. Chegou a Juazeiro do Norte quando tinha 40 casas. Hoje é a terceira cidade do Ceará -300 mil habitantes. Tornou-se mito. “Roma” proibiu-o de exercer os sacramentos.</p>
<p>Apoiou a derrubada do governo do Ceará com um exército de beatos, cabras e jagunços. Foi prefeito por quase 20 anos e deputado federal (nunca foi ao Rio exercer o mandato).<br />
Antonio Conselheiro nasceu em Quixeramobim (CE). Em Sobral, foi um rábula dos pobres. Cruzou o Nordeste por 30 anos, como o Mestre Ibiapina, construindo capelas e cemitérios. Beatos e beatas o acompanhavam. Aonde ia, aconselhava e ajudava. Estabeleceu-se em Canudos, na área que chamou de Belo Monte. Interpretou o Novo Testamento num manuscrito de 245 páginas, com letra desenhada (disponível em CD).</p>
<p>Monarquista, adotou um sistema coletivista. Tinha 30 mil habitantes quando o Exército o massacrou em 1897.</p>
<p>Os três falaram aos excluídos. Foram a esperança dos miseráveis, com conselhos, esmolas e o reino dos céus.</p>
<p>A repressão católica abriu espaço aos evangélicos com um mesmo estilo. Os dois principais líderes das Ligas Camponesas eram evangélicos (ver “Cabra Marcado para Morrer”). Método com o qual os mais pobres do Nordeste se identificam até hoje.</p>
<p>Enquanto Lula era um líder operário urbano, disputou voto entre eles em igualdade com os demais candidatos.</p>
<p>Em 2005, Lula muda. Incorpora o retirante e passa a falar aos excluídos, com conselhos, ajuda e esperança, na terra e no céu. Em 2006 e 2010, nas regiões que foram palco da peregrinação dos três, a “Missão Abreviada” produziu vitórias eleitorais na casa dos 80% no segundo turno.</p>
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		<title>Narcovarejo no Rio</title>
		<link>http://www.cesarmaia.com.br/2010/12/narcovarejo-no-rio/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 20:25:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe Cesar Maia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo, 4/12/10 Garry Gasparov, o maior jogador de xadrez de todos os tempos, em 2005 afirmava: “O jogo requer a disciplina de pensar muito além do presente e muito além de você mesmo. Não apenas pensar no &#8230; <a href="http://www.cesarmaia.com.br/2010/12/narcovarejo-no-rio/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Folha de São Paulo, 4/12/10</em></p>
<p><em></em>Garry Gasparov, o maior jogador de xadrez de todos os tempos, em 2005 afirmava: “O jogo requer a disciplina de pensar muito além do presente e muito além de você mesmo. Não apenas pensar no seu tabuleiro, mas também no do seu oponente. Para cada movimento, tem que calcular a resposta de seu oponente. Não só a resposta imediata, mas também dez ou 15 movimentos antecipados”.</p>
<p>A ocupação do Complexo do Alemão é mais um episódio da história do tráfico no Rio, que vem do final dos anos 70, quando se forma um corredor de exportação de cocaína para a Europa. Este cria um mercado interno para dar sustentação financeira aos grupos nos intervalos entre as partidas de cocaína. E se cristaliza.</p>
<p>O Complexo do Alemão concentrou os traficantes que saíram das favelas de pequeno porte ocupadas pelas UPPs.</p>
<p>Tornou-se uma central do Comando Vermelho. Muito mais importante por isso que pela distribuição de cocaína, que no Rio é concentrada na Rocinha e na Maré -que juntas respondem por mais de 60% da distribuição no varejo.</p>
<p>O Alemão tem 65 mil moradores. A Rocinha e a Maré juntas têm 180 mil. A ocupação do Alemão tem um forte efeito simbólico, restituindo aos militares e policiais a confiança da população. Isso é, em si, muito importante.</p>
<p>O prazo dado desde a ocupação de uma favela ao lado foi usado pelos chefões, que fugiram, na lógica das guerrilhas. Na Operação Rio do Exército (1994) tinha sido assim. Provavelmente estarão em outra comunidade na periferia que, no futuro, terá simbologia semelhante à do Alemão.</p>
<p>Os casos das favelas de Vigário Geral, Parada de Lucas e outras servem como memória.</p>
<p>A ocupação do Alemão foi reativa, como resposta aos atos de microterrorismo perpetrados. Estes, segundo o governo, foram resposta dos traficantes às UPPs. Previsível, até porque outras áreas foram tomadas pelas milícias, que vivem de extorsão.</p>
<p>Se as bocas de fumo do Alemão estão fechadas (espera-se que agora definitivamente), isso nada tem a ver com a demanda de cocaína: os viciados continuarão procurando onde comprar. Para isso existem centenas de outros pontos.</p>
<p>O efetivo policial que ficará no Alemão, mantida a escala das UPPs, estará na casa dos 2.500. Isso é mais que todas as UPPs da zona sul e norte do Rio, que estão em comunidades de 5.000 moradores. Somando ambas, tem-se o mesmo efetivo do policiamento ostensivo na capital, em cada momento.</p>
<p>Abre-se uma oportunidade. Mas, para isso, deve-se seguir o conselho de Gasparov. Ou será mais uma vez uma questão de tempo, pela própria dinâmica da demanda de cocaína (8 ton/ano no Rio) e do narcovarejo correspondente.</p>
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