19 de dezembro de 2012

VENEZUELA: RAZÕES DA DEBACLE DA OPOSIÇÃO NAS ELEIÇÕES ESTADUAIS! EX-BLOG ENTREVISTA CESAR MAIA!

1. Ex-Blog: Há explicações para essa vitória arrasadora do chavismo nas eleições estaduais venezuelanas? Como você, que é vice-presidente da UPLA (união de partidos latino-americanos) e da IDC (internacional democrata de centro), explica isso? R: Acompanhei de perto esse processo. Inclusive pedi ao Ex-Blog que anexasse um amplo estudo com pesquisas dois meses antes da eleição presidencial. Estive nas primárias da oposição como delegado-observador. Numa reunião restrita foram repassadas todas as possibilidades. A vitória de Chávez por aqueles 10 pontos era evidente.

2. Ex-Blog: E por que então a oposição participou desse jogo? R: Certamente havia setores da posição que tinham a ilusão da vitória. Mas não se deveria desestimulá-los. Essa pergunta foi colocada em discussão e o consenso é que se deveria participar por três razões. Com uns 45% dos votos, o eleitor saberia que a oposição é competitiva. Os principais candidatos da oposição nas primárias eram jovens, de uns 40 anos, o que permitia projetar um futuro sem ansiedade. E, finalmente, a impossibilidade de Chávez concluir seu mandato, o que abriria, em médio prazo, o chavismo em 4 ou 5 “partidos” e ofereceria uma clara perspectiva de vitória em seguida. Valia a pena participar; valeu a pena.

3. Ex-Blog: E como se explica esse resultado arrasador nas eleições Estaduais deste último domingo a favor do Chavismo? R: Chávez jogou bem e a oposição –entusiasmada com o resultado da eleição parlamentar onde obteve 51% dos votos nominais- deixou passar sem resistir ou tentar obstruir a decisão de Chávez de realizar as eleições estaduais apenas dois meses após a eleição presidencial. Debatemos isso na cidade do México, agora, 10 dias antes da eleição, com as pesquisas na mão. Até a eleição de Capriles em Miranda não estava garantida. A razão era clara e as pesquisas mostravam. Uma vez que Chávez venceu para presidente, ficar contra ele nos Estados era inócuo e até um risco. Assim respondiam os eleitores.

4. Ex-Blog: O que mais fez Chávez? R: Exonerou ministros, substituiu comandos militares e até seu vice-presidente e levou todos para disputar as eleições estaduais, em seu nome, não levando em conta o domicilio eleitoral e político deles. Capriles enfrentou o vice-presidente da república. Venceu com 52% dos votos, é verdade, mas perdeu a maioria no legislativo, o que será um cerco desafiante para ele.

5. Ex-Blog: Qual sua projeção para a Venezuela? R: Agora, no México, gerei surpresas quando, numa mesa sobre política latino-americana, disse que estava otimista com a Venezuela, muito mais do que com o Equador, seja pela muito melhor qualidade de Corrêa, seja pela inevitabilidade da desagregação do chavismo após o passamento de Chávez. No momento em que isso ocorrer, a oposição deve ser prudente, não aceitar confrontos nem provocações e deixar que o furacão passe para entrar em campo. Deve –desde já- olhar com atenção para as próximas eleições parlamentares e se debruçar nos resultados regionais e com pesquisas sistemáticas na mão.

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LEOLUCA ORLANDO E O PROJETO AQUARIUS NO COMPLEXO DO ALEMÃO!

1. Leoluca Orlando foi prefeito de Palermo, capital da Sicília, entre 1985 e 1990 e depois entre 1993 e 2000. Palermo era a base da Máfia da Sicília quando ele assumiu. Foi internacionalmente consagrado por sua tese que demonstrou que o crime e a violência eram incompatíveis com arte erudita no mesmo espaço. Dessa forma, levava, aos pontos mais críticos de ocupação pela máfia, orquestra filarmônica e orquestras de câmara. O resultado foi surpreendente. Anos depois, criou o “Instituto de Renascimento Siciliano”, com o fim de promover uma cultura da legalidade dos direitos humanos e da paz. Leoluca Orlando deveria ser convidado ao Rio para conversar sobre sua experiência em Palermo.

2. (Globo, 16) A chuva não esfriou os ânimos das 4 mil pessoas que, compareceram à apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, no concerto do Projeto Aquarius na noite deste sábado (15), no alto do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão. A festa, que começou por volta das 21h, foi apresentada por Regina Casé  e trouxe uma rara oportunidade aos moradores da comunidade. Muitos deles jamais haviam assistido a um concerto de música erudita.

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MORTES COM ARMAS DE FOGO: BRASIL 35 MIL, COLÔMBIA 13 MIL, MÉXICO 12 MIL, EUA 10 MIL!

(BBC Mundo, 18) Segundo dados da ONU, EUA é o quinto país no mundo em quanto ao número de pessoas que morrem por armas de fogo, com 9.960 homicídios deste tipo em 2010. Mas isto se deve ao tamanho de sua população. Comparativamente, EUA vai para a posição número 26, atrás de muitos países latino-americanos e do Caribe. A taxa de assassinatos por arma de fogo nos EUA variou nos últimos anos entre 3,9 por 100 mil habitantes em 2006 para 3,2 em 2010, segundo a ONU. Em 2011, caiu para 2,8 por cem mil habitantes. Washington DC é o Estado com a maior taxa 12,5, seguido de Luisiana com 8,8.

Brasil é o décimo em Taxa e o primeiro em Quantidade.

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TURQUIA: EXPORTAÇÕES DE METAIS PRECIOSOS CRESCEM 5 VEZES EM 1 ANO!

1. Por ocasião de sua participação em evento focado em novas práticas de gestão, boa governança e responsabilidade fiscal, o Ministro da Economia da Turquia, Zafer Çaglayan, reafirmou a importância do aumento das exportações a fim de possibilitar redução do déficit na conta de transações correntes. Çaglayan salientou ainda que as exportações de ouro têm constituído fator primordial para melhora da performance da conta corrente, segundo ele, “o calcanhar de Aquiles” da economia turca.

2. As exportações turcas de metais preciosos em geral (que incluem o ouro) saltaram de US$ 2,7 bilhões nos primeiros onze meses de 2011 para US$ 14,3 bilhões entre jan-nov/2012 (!!!!). Acredita-se que o principal mercado-alvo seja o Irã, que estaria incentivando a entrada de metais preciosos em troca de, principalmente, insumos energéticos, a fim de mitigar as consequências das sanções internacionais ora em vigor. Por seu turno, a Turquia estaria recebendo quantidades cada vez maiores de petróleo e gás natural oriundos do Irã evitando a utilização de divisas, sem, portanto, onerar ainda mais a conta de transações correntes.