01 de abril de 2014

ENTREVISTA DE CESAR MAIA A FERNANDO RODRIGUES NA TV UOL, DIA 27/03! II – DEM E PSDB!

1. (DEM satélite do PSDB) – Concordo. Na prática foi isso. Por quê? A campanha majoritária em grandes Estados, na presidência da República, é uma campanha de personagens. O Democratas, o PFL, não conseguiu construir esse personagem e o PSDB construiu, eu diria, por sorte. Porque quando o presidente Itamar Franco chamou Antônio Britto e que ele refluiu, não aceitou, aí entrou a candidatura do Fernando Henrique Cardoso, que entra e ascende. Com a economia, com aquela inflação toda. Ele era ministro de Relações Exteriores, que aceita e tem a coragem de bancar uma proposta que já haviam apresentado ao Marcilio Marques Moreira, que não adotou.  O Fernando Henrique não apenas bancou, não apenas assumiu, como trabalhou coordenando uma equipe que era uma equipe conflitiva. Portanto, ele teve esse grande mérito de produzir uma coordenação de ideias que ele não dominava na época, acreditar naquela proposta, tocar para frente, enfim, se elegeu com ela.

2. Agora mesmo nós estamos vivendo isso.  Eu também tenho dúvidas. Agora, não sei se essa estratégia vai ser bem-sucedida. Era forte dentro do governo Fernando Henrique Cardoso. Outra coisa é você hoje… E agora com uma dúvida: se entra o vice ou não entra o vice. Na eleição de 2010 foi um desrespeito completo. E se aceitou esse desrespeito. O nome do senador José Agripino, que é o nosso presidente, não é favorito na escolha do Aécio para quem será o vice-presidente. Espero que seja ele, mas não é favorito. Eles estão pensando em São Paulo, fazendo aquela contazinha eleitoral, Minas, São Paulo, Rio, etc. O PSDB está errado. Completamente errado. Todos os presidentes da República pós 46 fizeram chapas cruzadas. Eles têm que contar com um partido da força do PSDB em São Paulo, com um governador como o Alckmin, que é imbatível no interior, não digo na região metropolitana, que esse partido vai levar a candidatura do Aécio e que ele pode fazer um cruzamento regional que permita a ele ter uma presença na seleção que ele fizer que agregue a ele mais votos do que ele vai agregar colocando alguém de SP. O Serra é um poço de mágoa, porque em 2010 o Aécio colocou uma candidatura e ele acha que essa candidatura retardou o processo de amadurecimento da candidatura dele e o Aécio só saiu em dezembro, ele também só saiu em dezembro, para dar o troco. Acho que não contribui. Acho que ele devia entrar, entender que o partido dele no poder contribuiria muito mais na maneira deles pensarem o Brasil e para ele também, e o grupo dele.

3. Agora, no mínimo que uma decisão dessas, para ser tomada, gere algum tipo de compensação na eleição de deputado. Você pode chegar em um Estado e dizer “eu quero nesse Estado ter uma coligação que me garanta eleger dois federais”, Enfim, você tem maneiras de gerar uma compensação que te eleja mais três deputados federais, ou quatro ou dois, e que você abra mão de um direito que seria natural de ser o maior partido que apoia o Aécio Neves.  É, depende do segmento do Democratas, né? Tem um segmento no Democratas que ainda insiste na candidatura do Ronaldo Caiado, dizendo “vamos entrar pela direita, não tem esse vetor representado na política brasileira. Nós partimos de uma representação forte do agronegócio. Entramos com valores conservadores, valores cristãos, conservadores. Isso daí nos eleva para 9%, 10% do eleitorado”. Há esse vetor. Há outro vetor que é hoje o mais forte que apoia o Aécio e leva tempo de televisão e que o DEM deve ter a Vice-Presidência com a presença do Agripino. E, enfim, tem a tese do completo pragmatismo. Eu abraçava a corrente de que o partido devia ter candidato próprio. Isso ficou muito forte em dezembro, janeiro, quando houve aquela atitude grosseira da Marina [Silva] com o Caiado. Hoje eu diria que ela se tornou pouco viável.

3. Então esse é um quadro difícil. É um quadro em que se tem que trabalhar olhando para o fortalecimento nosso, do ponto de vista parlamentar, mas já produzindo uma visão de dentro da lógica da política brasileira de criação de personagem. Caiado seria ideal.  Ah sim, carismático, grande orador, um grande quadro nosso. Eu acho que Marina cometeu um equívoco gigantesco porque o Eduardo Campos teve que fazer uma espécie de peregrinação no agronegócio e não recuperou e não vai recuperar. A vantagem quem teve foi o Aécio que ficou com o agronegócio todo em cima do colo dele. Então eu acho que foi um erro deles porque o Caiado já estava combinado, acertado com o Eduardo Campos. Foi um momento que foi superado, infelizmente.

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ALONGAR PRAZO DE DÍVIDA IMOBILIÁRIA PODE TRIPLICAR A DÍVIDA COM IMÓVEL!

(Estado de SP, 31) Crédito farto e juros menores tornaram a compra da casa própria mais fácil nos últimos cinco anos. A facilidade foi acompanhada por prazos maiores – hoje o período de financiamento de um imóvel, em média, é de 26 anos, contra 20 anos quando o Banco Central começou a medir esse indicador, em 2011. O alongamento dos prazos, às vezes excessivo, acaba colocando o comprador em uma promoção às avessas – a dívida com imóvel pode ser quase três vezes o valor financiado. Com algumas simulações, é possível notar que o valor da parcela não varia tanto em 20, 25 ou 30 anos, mas o impacto final na dívida pode superar os R$ 200 mil.