11 de fevereiro de 2016

A FARSA SOBRE O ENGENHÃO NO ACORDO ODEBRECHT-PMDB!

1. No dia 01 de fevereiro de 2016, a Folha de SP publicou uma matéria mostrando que o fechamento do Engenhão foi um erro. Diz assim: “Empresa que projetou Engenhão diz que fechamento foi um erro.  Responsável por projetar o Engenhão a Racional Engenharia afirmou que a arena não deveria ter sido fechada por quase dois anos, como ocorreu. Disse ainda que a intervenção para reforçar a cobertura não era necessária.”

2. Na verdade, foi muito mais grave do que isso. E é a própria matéria da Folha de SP que explica: “A longa interdição beneficiou a concessionária do Maracanã, também liderada pela Odebrecht. À época do fechamento do Engenhão, a empresa negociava com os clubes do Rio para uso da outra arena e o Maracanã se tornou o único grande estádio disponível no período.”  

3. Para este Ex-Blog, nada disso é novidade. Em nota de abertura, o Ex-Blog de 02 de abril de 2013, portanto uns 3 anos atrás, explicava. Abaixo a nota do Ex-Blog na íntegra.

O “ESTRANHO CASO” DA LICITAÇÃO DA CONCESSÃO DO MARACANÃ E INTERDIÇÃO DO ENGENHÃO!

1. A cada hora que passa fica mais clara a conexão entre a interdição do Engenhão e a licitação do Maracanã. Ambas ocorrem no mesmo período. Dias atrás, o Flamengo e o Fluminense assinaram contrato de utilização do Engenhão por 2 anos. Dias antes foi divulgado o estudo de viabilidade do Maracanã com gestão privada, que sublinhava a necessidade de que dois grandes times (Flamengo e Fluminense) fizessem parte do projeto com uso exclusivo –por eles- do Maracanã. O Flamengo tem um campo de treinamento na Gávea. O problema seria o Fluminense. Mas, rapidamente, uns 10 dias atrás, a prefeitura do Rio doou 5 milhões de reais para seu novo centro de treinamento.

2. Surpreendentemente –antes mesmo de conhecer o relatório, como disse na TV- o prefeito do Rio determinou a interdição do Engenhão. Os vazamentos oficiosos produziram um noticiário distorcido na imprensa: risco de desabamento, erros de projeto, participação da Delta, e por aí foi. O caso da Delta tornou-se ridículo, pois a Odebrecht, que construiu a cobertura do Engenhão (com a OAS), se associou anos depois à Delta para ganhar e fazer as obras bilionárias de reforma e cobertura do Maracanã.

3. Já na quarta-feira (27), no final da tarde, menos de 24 horas do anúncio, se passou a saber que se trata de debate técnico entre os calculistas sobre pontos de resistência ao vento em altas velocidades. E se soube mais: essa questão foi levantada em 2010 e a conclusão é que mesmo no caso de reforço no ponto indicado, isso não exigiria interditar.

4. O Jornal Nacional (27) entrevistou o engenheiro calculista Flavio D’Alambert –top nacional em cálculo de estruturas metálicas- e ele disse que tem a mesma certeza que o “Engenhão é um local seguro para jogos esportivos”. E que levaria sua família sem susto ou risco. Ele é também responsável pelas estruturas metálicas dos estádios de Brasília e Cuiabá, em construção.

5. Curiosamente –digamos- o novo estudo foi pedido pela Odebrecht, que constrói o novo Maracanã, à empresa alemã Schlaich Bergerman und Partner (SBP) que, aliás, também é responsável pela cobertura do Maracanã. Essa fez um laudo que informa ser ideal um reforço no tal ponto que estaria um detalhe além do calculado, de forma a se ter garantias plenas para resistir a ventos com velocidade superior a 115 km por hora.

6. Como já havia sido dito e escrito em 2010 (9/11, O Dia), mesmo que houvesse a necessidade de reforço, esse poderia ser feito isolando um trecho, colocando suportes e fazendo os ajustes com calma. No máximo bloquearia 10 mil lugares. O que, aliás, nada mudaria pelo público de futebol hoje no Brasil. Essa possibilidade foi repetida agora: não precisa interditar.

7. Bem, serviço feito para “fortalecer” o edital de concessão e os futuros e pré-conhecidos concessionários. E um dano de imagem para os JJOO-2016, por ser o Engenhão um estádio de atletismo, modalidade-eixo, desde sempre, das Olimpíadas. O COI mandou um recado: não gostou do que leu.

8. (Lance, 30) Dupla de empreiteiras responsável pela construção da cobertura do Engenhão a OAS e a Odebrecht estão de olho aberto na licitação que definirá o futuro grupo gestor do Maracanã.   Das 19 visitas técnicas de grupos interessados no estádio, sete fazem parte de uma das duas gigantes da construção. A lista é composta por Construtora OAS S.A, OAS Arenas S.A, OAS S.A, Construtora Norberto Odebrecht S.A, Odebrecht Properties Entretenimento S.A, Construtora Norberto Odebrecht Brasil S.A e Odebrecht Participações e Investimentos S.A. A OAS está por detalhes para fechar uma parceria com a francesa Lagardère, grupo de mídia com holding voltada à indústria esportiva, enquanto a Odebrecht e a IMX, do bilionário Eike Batista, costuram uma parceria para gerir o complexo esportivo.

9. Canal 51, Discovery em 31/03/2013. Documentário sobre a cobertura do Engenhão.  Os Engenheiros do Consorcio construtor Flavio Cesaris e Sancho Montaldon, disseram claramente que após o descimbramento os arcos se comportaram de acordo com o projeto e dentro do previsto.

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COM REDUÇÃO DA CONTA DE LUZ, ESTADOS PERDEM R$ 5 BILHÕES DE ICMS!

(Folha de SP, 08) 1. Com o cronograma já definido para a retirada dos encargos adicionados às contas de luz pelas bandeiras tarifárias, os governos estaduais devem perder cerca de R$ 5 bilhões nos próximos 12 meses na cobrança de ICMS. A perda mensal deve ficar em R$ 390 milhões, média arrecadada em 2015, quando, em todo o ano, ficou em vigor a bandeira vermelha na conta de luz, a mais cara.

2. O ICMS é um imposto que incide sobre as mercadorias e serviços e a maior fonte de arrecadação dos Estados. No ano passado, essa receita extra do tributo se transformou em uma espécie de 13º para os governos. Desde o início deste ano, o governo federal vem adotando medidas para retirar essa taxa extra cobrada nas contas de luz. Para o mês de fevereiro, foi criada a bandeira vermelha patamar 1, também chamada de bandeira rosa, que é mais barata do que a que estava valendo até janeiro.

3. O encargo adicionado na conta passou de R$ 4,50 para R$ 3 por 100 kilowatts-hora (KWh) consumidos. Para março, já está definido que a bandeira amarela entrará em vigor, reduzindo o encargo para R$ 1,50 por 100 KWh consumidos.